Ao contrário da maior parte dos brasileiros, inclusive do Congresso, onde deputados e senadores discutiam o futuro de suspeitos de envolvimento com o mensalão, o Supremo Tribunal Federal (STF), que tem julgado pedidos dos congressistas ameaçados por processos de cassação, vive nesta semana dias de feriado prolongado.
A folga foi turbinada a partir dos feriados do Dia do Servidor Público e de Finados. Originalmente comemorado na sexta-feira passada, 28 de outubro, o Dia do Servidor foi transferido no Supremo para a segunda. Ontem também não houve trabalho no STF. Uma lei da década 1960 estabeleceu que o dia 1.º de novembro é feriado forense.
Emendando com Finados, que é hoje, a folga garantiu um descanso de cinco dias para ministros e servidores. Procurados, ministros do STF não foram encontrados em Brasília. O presidente do Supremo, Nelson Jobim, esteve no arquipélago de Fernando de Noronha, por exemplo. O ministro Eros Grau, que na semana passada deu uma liminar favorável ao deputado José Dirceu (PT-SP), descansou na cidade histórica mineira de Tiradentes. Nenhum dos dois comentou a crise entre o STF e o Congresso deflagrada pelas decisões favoráveis a congressistas ameaçados de cassação.
Projetado pelo renomado arquiteto Oscar Niemeyer, o prédio do STF era um verdadeiro canteiro de obras ontem. Aproveitando a falta de trabalho no local, funcionários da construção civil martelaram durante todo o dia para derrubar paredes e realizar pequenas reformas. Quem insistiu em ficar no prédio teve de enfrentar, sem ar-condicionado, o calor de final de seca de Brasília.


