Brasília – Num discurso durante o encontro de sem-terra em Brasília, o principal líder do Movimento dos Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, defendeu ontem invasão de terra como a única solução para resolver de fato o problema da reforma agrária no País. O líder sem-terra disse que não são as promessas do governo nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva que conseguirão resolver os problemas da reforma agrária no País.

“A velocidade e o volume da reforma agrária depende de nós, do poder popular e ocupando os latifúndios. A responsabilidade no fundo é mais nossa do que deles (o governo)”, afirmou Stédile, que foi aplaudido pelos cerca de três mil militantes sem-terra que participam do encontro no Parque da Cidade. Stédile evitou críticas ao governo e afirmou que anunciar metas de assentamento é reduzir o debate e uma forma de pressioná-los a reduzir as invasões. Segundo ele, os sem-terra querem discutir idéias e como mudar o modelo econômico.

“Discutir metas é reduzir o debate e uma tentativa de nos encurralar porque o governo vai divulgar um número só para nos agradar e nós vamos críticar em seguida e isso não leva a nada”, afirmou.

Já o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, reconheceu que o governo fez muito pouco pelo sem-terra este ano, mas afirmou que 2004 será o ano da reforma agrária no Brasil. Ele evitou, no entanto, falar em metas de assentamento para o ano que vem, afirmando que isso cabe ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Rossetto disse ainda que o governo vai atuar para evitar os conflitos no campo e afirmou que nesses confrontos os sem-terra é que costumam ser as vítimas.

“Não queremos mais mortes no campo. São os nossos que morrem no campo. O que queremos é que o campo seja um espaço de alegria, de vida, de produção e de respeito”, afirmou. A Contag e o MST estimam que cerca de três mil militantes estejam participando desse encontro no Parque de Exposições de Brasília, no Parque da Cidade. Hoje, o presidente Lula vai receber cerca de mil sem-terra no Palácio do Planalto.

Segundo o ex-deputado petista Plínio de Arruda Sampaio, um dos criadores do Plano Nacional de Reforma Agrária, para implementá-lo, são necessários cerca de R$ 24 bilhões. Ele disse que seu plano não é assistencialista e que tem uma base econômica forte. Entretanto, no Orçamento Geral da União para o ano que vem, estão destinados apenas R$ 1,1 bilhão para a reforma agrária.