O Estado de São Paulo vai fazer um levantamento no segundo semestre deste ano para avaliar os motivos que levaram à diminuição da cobertura vacinal na região. O Brasil tem 667 casos confirmados de sarampo em seis Estados. Dados divulgados pelo Unicef e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que as taxas de vacinação aumentam no mundo, mas caem no Brasil há três anos.

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Segundo Helena Sato, diretora técnica de Imunização da Secretaria de Estado da Saúde, as coberturas alcançavam as metas até 2016, quando começaram a apresentar queda.

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“Até 2016, as nossas coberturas vacinais atingiam as metas de 90%, 95%. A partir disso, observamos uma queda, não uma queda drástica, mas, ao invés de atingir 95%, a nossa média é em torno de 70%. Iremos realizar, no segundo semestre e já temos uma equipe organizada para tal, uma avaliação no Estado para identificar os reais motivos dessa queda.”

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Helena afirma que a entrada de um sistema de informação nominal para registro das vacinas teve impacto nesse processo, mas não é o único motivo.

“Quando entra um sistema novo, até que os municípios acertem a adequada digitação, isso pode levar um tempo, mas não basta apenas avaliarmos que o problema está no sistema, precisamos ampliar esse leque dos possíveis fatores que podem estar interferindo nas coberturas e, com isso, verificar a real cobertura do nosso Estado.”

Nesta quinta-feira, 26, as sociedades brasileiras de Imunizações (SBIm), Infectologia (SBI) e Pediatria (SBP) assinaram um manifesto para incentivar a população a comparecer à campanha de vacinação que será realizada entre os dias 6 e 31 de agosto para evitar novos surtos de sarampo e o retorno da poliomielite no Brasil.

As entidades têm como objetivo melhorar a cobertura vacinal em todo o País e incentivar a população a manter a caderneta de vacinação em dia.

Segundo o manifesto elaborado pelas sociedades médicas em parceria com o Rotary Internacional e apoio do Programa Nacional de Imunizações (PNI), o último caso de poliomielite ocorreu no Brasil em 1989 e, desde 1994, o continente americano tem o certificado de erradicação da doença.

No caso do sarampo, o Brasil e as Américas tinham sido considerados regiões livres de circulação do vírus em 2016, mas a situação mudou com o surto ocorrido recentemente do País, atingindo Estados como Roraima, Amazonas e Rio de Janeiro.

“Diante deste quadro atual, há necessidade da união de esforços de todos para a manutenção do País livre dessas doenças. As coberturas vacinais ainda são heterogêneas no Brasil, podendo levar à formação de bolsões de pessoas não vacinadas, possibilitando, assim, a reintrodução do poliovírus e do sarampo (comprometendo o processo de certificação de eliminação).

Desta forma, é importante que autoridades, gestores e profissionais de saúde trabalhem de forma integrada para reduzir os riscos e a possibilidade de reintrodução destas doenças no território brasileiro”, diz o documento.

Alerta

No mês passado, o Ministério da Saúde fez um alerta sobre o risco de retorno da poliomielite em ao menos 312 cidades brasileiras, das quais 44 estão no Estado de São Paulo, com base na baixa cobertura vacinal registrada nesses locais – que não chegou a 50%, quando a meta é 95%. Em 2017, pelo menos 800 mil crianças estavam sem o esquema completo de vacinação, composto por três doses do imunizante.

No ano passado, apenas o Ceará alcançou a meta de imunização na segunda dose contra o sarampo no País. No total, o Brasil tinha cobertura de 71,55% da segunda dose do imunizante em 2017.

Nesta quarta-feira, 25, o Ministério Público Estadual (MPE) instaurou inquérito civil para apurar o motivo de os índices de vacinação infantil na capital paulista e nas demais cidades do Estado estarem baixos, em especial os da poliomielite.

O Estado informou que ainda não foi notificado sobre a investigação, mas que vai prestar todos os esclarecimentos ao MPE. A Secretaria Municipal de Saúde diz, em nota, que a cobertura da vacina contra a poliomielite em 2017 na cidade foi de 84,8%, superior aos dados divulgados pelo ministério, de 30,6%, e que o município atualizar informações sobre doses aplicadas em um sistema próprio.