O sistema municipal de Saúde vai oferecer implantes subdérmicos, um novo método em que o anticoncepcional é inserido sob a pele da mulher, para evitar gravidez indesejada em adolescentes e usuárias de droga na capital paulista. O secretário municipal de Saúde, Alexandre Padilha, anunciou nesta sexta-feira, 12, a aquisição de mil implantes para atender públicos considerados vulneráveis e com menos disciplina para seguir métodos tradicionais, como pílulas.

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O anticoncepcional tem formato de bastonete, 4 centímetros de comprimento, 2 milímetros de diâmetro e dura por pelo menos três anos após a aplicação, feita na parte superior do braço da mulher. “Já começamos o projeto piloto na Maternidade Cachoeirinha (na zona norte) e estamos anunciando isso para todas as maternidades municipais”, afirmou Padilha, após um seminário sobre o tema. Se optar por desistir do método, a mulher recupera a fertilidade em até dois meses.

“É uma tecnologia muito apropriada para dois grandes grupos que preocupam muito a Prefeitura hoje: as adolescentes, que têm muita dificuldade de manter uma regularidade no uso de pílula ou de outros métodos anticoncepcionais, e usuárias de droga”, disse o secretário. De acordo com ele, gestantes com esse perfil serão orientadas a fazer o implante quando estiverem em maternidades municipais. A Prefeitura também fará busca ativa para encontrar mulheres que precisam do serviço.

Dados apresentados no seminário, com base em pesquisas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), apontam que 66% das adolescentes gestantes no Brasil não planejaram a gravidez, 30% das usuárias de crack já fizeram sexo para financiar o vício e 46,6% das usuárias já engravidaram após iniciar o uso da droga.

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Para o coordenador do Programa de Saúde da Mulher, da Secretaria Municipal de Saúde, Adalberto Kiochi Aguemi, no entanto, o contraceptivo que vai ser ofertado não é suficiente para resolver o problema da gravidez indesejada na cidade de São Paulo. “Só com o implante não vai ser eficiente”, disse em sua apresentação no seminário.

Um dos motivos é que o número de casos que precisam ser tratados são bem superiores à oferta da Prefeitura. Segundo Aguemi, cerca de 23 mil adolescentes engravidam por ano na capital. Ainda de acordo com o coordenador, não há dados sobre o outro grupo, que faz uso abusivo de drogas, mas 2.322 mulheres estão em situação de rua.

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Padilha afirma que os mil implantes correspondem ao número inicial do programa. “À medida que você tiver adesão dos profissionais e das mulheres, nós podemos expandir o procedimento”, disse. O secretário também disse que o anúncio não tem relação direita com os casos de microcefalia associados ao zika vírus no Brasil, mas que “chama atenção” para importância de planejar a gravidez.