Despedidas no porto: choro e preocupação.

Rio – Os 161 militares brasileiros da Marinha e do Exército, que compõem a primeira tropa de um total de 1.200 homens, embarcaram ontem de navio para o Haiti, na missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU). A presença do Brasil no país do Caribe deve durar seis meses, mas pode ser prorrogada. As próximas tropas irão de avião até o fim de junho.

Entre 10 e 11 horas, quando os navios partiam, o que se via na Ilha de Mocanguê, Niterói, eram muitos acenos, choros e abraços. “Estou à base de calmantes. Não é fácil”, admitiu Valquíria de Almeida, de 27 anos. Ela é casada com o fuzileiro naval João Hermínio de Almeida Neto, de 32 anos, que, apesar da saudade, estava feliz em partir. “Tenho a esperança de voltar com a mesma saúde com que estou indo e fico orgulhoso por ter sido convocado.”

Com lágrimas nos olhos e o pequeno Maximiniano, de 2 anos, no colo, Ariana Ribeiro, de 22 anos, tentava se conformar com a partida do marido, o cabo da Marinha Maximiniano Fernandes, de 25. “Espero que ele vá e volte bem. Disse que tinha a obrigação de voltar para mim e para nosso filho.”

Os 98 militares do Exército e os 63 fuzileiros navais da Marinha partiram no navio de desembarque-doca Ceará e no navio desembarque de carros de combate Mattoso Maia. A fragata Rademaker e o navio-tanque Almirante Gastão Motta também deixaram o Rio, rumo ao Haiti.

Ontem, cinco aeronaves tipo C-130 da FAB decolaram da base aérea do Galeão, na zona norte, levando outros 42 militares, geradores de eletricidade, ração (comida) e água mineral. Estão programados outros três vôos para o Haiti. Além do restante da tropa, as aeronaves levarão caminhões, reboques e mantimentos.

A viagem pelo mar dura 18 dias. Os navios transportam 82 contêineres e 143 veículos do Exército e da Marinha. São Urutus, ambulâncias, caminhões equipados com frigoríficos e cozinha. Por exigência da ONU, eles foram pintados de branco com a inscrição UN (United Nations). Os militares carregam no braço direito da farda o símbolo da ONU e do lado oposto a bandeira do Brasil. A tropa vai substituir os americanos, franceses, canadenses e chilenos que já estão no Haiti e será comandada pelo general Américo Salvador de Oliveira, um brasileiro de 56 anos.