A ONG GGB (Grupo Gay da Bahia) criou um site para registrar e contabilizar os casos de assassinatos de homossexuais pelo Brasil.

“Quem a homofobia matou hoje” já contabiliza o homicídio de 165 gays, travestis e lésbicas de janeiro a junho deste ano.

O número é 28% maior do que de igual período do ano passado e equivalente a 62% das 266 mortes contabilizadas em todo o ano de 2011 pelo GGB, com base em notícias de jornais.

A maioria dos homicídios homofóbicos neste ano ocorreu em São Paulo (19), seguidos de Paraíba (15) e Bahia (14), de acordo com o levantamento.

A entidade afirma que há subnotificação em sua base de dados, por levar em conta só o que saiu na mídia, e diz que os números reais devem ser maiores.

“Se houvesse um levantamento sistemático do governo federal nas estatísticas das secretarias de segurança, com certeza conheceríamos mais casos de homofobia”, diz Luiz Mott, fundador do GGB.

O grupo critica há anos o governo federal por não criar esse banco de dados oficial dos crimes homofóbicos. “Estamos fazendo o serviço que devia ser obrigação do governo”, afirma o advogado Dudu Michels, responsável pela manutenção do banco de dados do site.

A ideia do site é reunir o maior número de informações possíveis sobre casos do tipo, a partir do que é publicado na imprensa, e tentar combater a subnotificação.

Qualquer um pode enviar informações ao GGB para serem acrescentadas à página.

Procurada pela reportagem, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República informou que mantém o Disque Direitos Humanos (Disque 100) com um atendimento específico para violações contra a população LGBT desde 2011.

De acordo com a secretaria, no ano passado foram registradas 1.259 denúncias de violações contra LGBT, que são encaminhadas para as autoridades locais competentes. O órgão afirma que o telefonema é gratuito e o anonimato do denunciante é garantido.