O Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) decidiu, em assembleia realizada na noite de segunda-feira, 26, por unanimidade, denunciar ao Conselho Regional de Medicina (Cremepe), os tutores do curso que está sendo ministrado aos médicos estrangeiros sobre língua portuguesa e sistema de saúde brasileiro.

A denúncia será realizada ainda nesta semana sob a alegação de descumprimento do artigo 49 do Código de Ética Médica, que estabelece que o profissional não deve se posicionar contra um movimento legítimo da categoria. Os médicos pernambucanos decidiram não fazer paralisação contra a vinda dos estrangeiros, mas continuam defendendo o exame Revalida para que eles possam atuar no Brasil.

“A postura do sindicato é lamentável e coercitiva”, afirmou Rodrigo Cariri, que ao lado de Paulo Santana, são os tutores do curso que está sendo realizado na Faculdade Miguel Arraes, no município metropolitano de Vitória de Santo Antão. A faculdade, privada, fez convênio com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) para a cessão de salas para os primeiros 115 estrangeiros – 96 deles cubanos – que chegaram a Pernambuco.

“Um conselho profissional não pode se colocar acima da lei e dos interesses da República”, observou Cariri, ao lembrar que a presidente da República editou Medida Provisória sobre o assunto. “Não podemos ser punidos por cumprir a lei.” “Não estamos traindo a categoria”, acrescentou, ao lembrar que é professor e como tal assumiu a tutoria do curso.