Levantamento do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense mostra que 41 funcionários morreram em plataformas da Petrobras na Bacia de Campos desde 1999. Do total, 26 eram terceirizados. No mesmo período, a entidade registrou 122 acidentes envolvendo plataformas da estatal.

O coordenador do sindicato, Fernando Carvalho, afirmou que a terceirização de funcionários é um dos problemas que estariam provocando falhas na manutenção de plataformas. Dos 76 funcionários que trabalhavam na P-34, 23 eram contratados da Petrobras e 53, terceirizados. Em toda a Bacia de Campos, são 33 mil terceirizados e 7 mil efetivos.

O sindicato divulgou um boletim da entidade indicando que, em 29 de maio, ?a produção da P-34 foi interrompida e os trabalhadores tiveram de deixar a plataforma em função de uma queda na geração de energia?. Ainda de acordo com o boletim de maio, ?o gerador auxiliar não funcionou e a queda teria sido provocada por um problema no retificador do equipamento.?

O acidente de domingo também teria sido causado por uma pane elétrica. Carvalho sustenta que a falta de manutenção adequada estaria provocando a série de problemas em plataformas como a P-34. Ele disse que vai cobrar a participação de funcionários na comissão instaurada pela Petrobras para apurar as causas do acidente.

Segurança – Para o sindicalista, o fato de cerca de 25 operadores da P-34 terem se jogado ao mar e nadado por cerca de 40 minutos até um rebocador próximo na tarde de domingo, devido à impossibilidade de se lançar uma das duas baleeiras disponíveis (cada uma com capacidade para 50 pessoas), por causa da inclinação da plataforma, ?caracteriza falha na segurança?. ?Eles não tiveram outra opção. Se isso tivesse ocorrido à noite  provavelmente haveria vítimas, porque o tempo de resgate seria maior e a hipotermia que atingiu dois operadores teria maiores conseqüências?, disse o sindicalista.

Carvalho afirmou que a plataforma deveria ter pelo menos mais duas baleeiras. A assistente social do sindicato, Maria das Graças Alcântara, disse que conversou com cinco dos funcionários resgatados no domingo e que um deles contou que ficou com medo de nadar em direção ao rebocador e ser atropelado, então seguiu na direção contrária e acabou sendo salvo por um catamarã que passava perto do local do acidente, a cerca de 80 quilômetros da costa.

P-36 – Ivanir Peixoto dos Santos, de 36 anos, viúva de um dos 11 petroleiros mortos no acidente da P-36 ocorrido no ano passado, Ernesto de Azevedo Couto, disse hoje que seu filho Lucas, de 8 anos, que teve acompanhamento psicológico durante um ano após a morte do pai, chorou ao ver as imagens da P-34 na TV. ?Ele falou: ?De novo, mamãe; será que tinha alguém que a gente conhecia lá dentro?, disse ela. ?A impressão é que a história se repete. É como se estivéssemos revendo o acidente do ano passado. Eu revivi tudo aquilo. Estou indignada.?

Maria de Fátima Gonçalves, viúva do técnico de segurança Geraldo Magela Gonçalves, afirmou que até hoje não recebeu indenização da Petrobras pela morte do marido. Ela disse que está movendo ação contra a estatal na 49.ª Vara Federal do Rio. A empresa não comentou a informação.