Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está disposto a seguir a orientação de sua equipe econômica e vetar o aumento de 15%, aprovado pelos parlamentares para os servidores do Legislativo, revelaram à Reuters fontes do governo e da bancada do PT na Câmara. Lula pode, no entanto, optar por uma decisão política.
Caso desconsidere o posicionamento dos ministérios da Fazenda e do Planejamento, que devem argumentar falta de recursos orçamentários, Lula estará adotando uma saída política para evitar mais confrontos com o Congresso Nacional. O reajuste concedido aos funcionários de Legislativo e do Tribunal de Contas da União foi aprovado por projetos de lei específicos para cada uma das instituições e aguardam apenas a sanção do presidente.
Segundo o Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo Federal e do TCU (Sindilegis), o último reajuste para a Câmara ocorreu em março de 2002 e para o Senado, em abril daquele ano. "Os ministérios da Fazenda e do Planejamento vão dar o indicativo a favor do veto para os três (servidores da Câmara, Senado e TCU)", disse uma fonte da Casa Civil.
O presidente estaria também incomodado em permitir esse aumento em meio à pressão dos militares, que pedem o reajuste de 23 por cento, acertado no ano passado. Petistas próximos ao presidente avaliam que a decisão de vetar provocará um desgaste ainda maior na relação do governo com o Congresso. Autor de críticas duras ao governo – que vão do número de medidas provisórias editadas ao patamar dos juros -, o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), receberia o veto como retaliação política.


