Uma nova modalidade de crime virtual tem acendido o alerta das autoridades e de instituições financeiras no Brasil: o sequestro virtual de celular. Utilizando táticas de manipulação conhecidas como engenharia social, criminosos conseguem acesso total aos aparelhos das vítimas para limpar contas bancárias.
Acessando o aparelho, que segue nas mãos das vítimas, os criminosos conseguem literalmente fazer a limpa, com o acesso de senhas e padrões. Mas como isso funciona e como não cair neste golpe? O prejuízo com este tipo de golpe já supera R$ 29 bilhões. O criminoso não invade o celular por um erro do sistema, mas manipulando a urgência da vítima.
Sequestro de celular: como o golpe funciona?
O crime começa com um contato via WhatsApp. O golpista finge ser um funcionário de banco e simula uma verificação de uma suposta fraude. Sob o pretexto de segurança e utilizando o artifício da urgência, ele induz a vítima a instalar um aplicativo no celular.
Uma vez instalado, o criminoso passa a acessar remotamente o aparelho. A partir daí, ele consegue visualizar tudo:
- Fotos e arquivos pessoais.
- Aplicativos de bancos.
- Digitação de dados em tempo real.
Importante: O criminoso não pede a senha diretamente. Ele simplesmente “assiste” à vítima digitando seus dados enquanto monitora a tela à distância.
Em resumo, o criminoso se torna um ‘fantasma’ dentro do seu próprio telefone. Ele não pede sua senha; ele observa, em silêncio, cada toque que você dá na tela enquanto você tenta, ironicamente, proteger sua conta.
Números alarmantes
Em entrevista ao Fantástico deste domingo (05/04/26), Ivo Mosca, diretor executivo de inovações, produtos e segurança da Febraban, revelou a dimensão do problema no país.
“A evolução dos crimes virtuais é uma situação muito preocupante. Dados indicam que, em um período de 12 meses, cerca de 24 milhões de brasileiros foram vítimas de tentativas de fraude no setor financeiro”, afirmou Mosca. Segundo o executivo, essas ações resultaram em prejuízos que se aproximam de R$ 29 bilhões para os cidadãos.
Sequestro de celular x pagamento por aproximação
Após ter acesso ao celular, os criminosos conseguem, ainda, transformar o aparelho em uma “máquina de cartão”. Desta forma, as vítimas podem ter ainda mais prejuízos caso aproximem seus cartões ao aparelho, realizando sem querer uma compra/pagamento por aproximação.
O que os bancos nunca fazem
A delegada de polícia do Rio Grande do Sul, Luciane Bertoletti, reforça que o comportamento dos criminosos foge completamente aos protocolos oficiais das instituições.
“O banco não solicita que a correntista baixe algum aplicativo e nem pede acessibilidade ao aparelho, muito menos para que o correntista digite a sua senha”, alerta a delegada.
O botão de emergência: o que fazer no segundo em que você suspeitar do ataque
A orientação dos especialistas é clara e imediata. Se você receber qualquer contato suspeito, a recomendação de Ivo Mosca é interromper a comunicação na hora:
- Desligue o aparelho: Se houver qualquer demanda de dados, senha, compartilhamento de tela ou instalação de aplicativos estranhos, desligue o celular imediatamente.
- Identifique o golpe: Segundo a Febraban, ao receber essas solicitações, você está, com certeza, sendo fruto de uma tentativa de golpe.
