Brasília – O processo contra o senador Roberto Saturnino (PT-RJ), acusado de prometer, por carta, destinar a metade de seu mandato ao primeiro suplente Carlos Lupi, recebeu ontem dois depoimentos contrários ao senador: o do próprio Lupi, que apresentou a carta em que Saturnino assume o compromisso de dividir com ele o mandato de senador e, em seguida, do ex-governador Leonel Brizola, que fez questão de afirmar que a carta fora de iniciativa do próprio Saturnino. “Eu mesmo fiz uma frase machista. Disse que mais valia o fio do bigode do que a palavra escrita. Mas o Saturnino fez questão de escrever a carta e entregá-la pessoalmente ao Lupi”, disse Brizola. Com a apresentação da carta feita por Lupi, a situação de Saturnino fica mais complicada, segundo integrantes do Conselho de Ética. É que, entre as atribuições de um senador da República, está “exercer seu mandato com dignidade e respeito à coisa pública e à vontade popular”. Saturnino, que será novamente ouvido pelo Conselho de Ética, declarou que fora coagido a assinar tal carta endereçada a Brizola, mas que ficara em poder de Carlos Lupi. Por isso, Brizola fez questão, em seu depoimento perante o Conselho de Ética, de contar como se deu a negociação entre o PDT e o PSB, em 98, para a formação da aliança com vistas às eleições daquele ano. Segundo ele, Saturnino havia perdido a eleição para vereador no Rio de Janeiro, dois anos antes, e se apresentado como candidato ao Senado em 98.