O senador Gim Argello (PTB-DF) apresentou emenda ao Orçamento deste ano para beneficiar a Cidade Ocidental, em Goiás. Uma das emendas destinaria R$ 3 milhões do Ministério das Cidades para obras de infraestrutura no município, que tem 55 mil habitantes, e relação estreita com a família Argello. O filho mais velho do senador, Jorge Argello Junior, comprou uma propriedade rural de 151 hectares em Cidade Ocidental, há três anos.

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Ele é um dos autores do processo judicial que pretende definir os limites da propriedade, que equivale a 150 campos de futebol. Argello Junior, então com 17 anos, adquiriu o terreno juntamente com Tarik Faraj Vieira, empresário filiado ao PTB em Brasília. O negócio teria sido fechado por R$ 330 mil. A denúncia é da Revista Época desta semana.

De acordo com a publicação, Cidade Ocidental vive acelerada expansão urbana e obras de infraestrutura poderiam valorizar ainda mais a região, a exemplo do que acontece em outras áreas próximas e dentro do Distrito Federal.

A definição dos limites do terreno é o primeiro passo para a instalação de qualquer empreendimento. Atualmente, na propriedade de Argello Junior já tem plantação de soja.

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Sociedade

O filho do senador Gim Argello, hoje com 20 anos, é corretor de imóveis e se tornou sócio majoritário da Terraforte Empreendimentos e Participações S.A. A empresa tem capital social de R$ 1,5 milhão, após quatro anos de funcionamento.

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A participação de Argello Junior chega a R$ 1,4 milhão. O outro sócio da empresa é Luis Felipe Argello, 18, o filho mais novo de Gim Argello. No endereço da empresa, em Brasília, está fixada placa de papelão com o nome da Terraforte, de acordo com a Revista Época.

Recentemente, o senador anunciou que serão construídas em Cidade Ocidental 30 mil unidades habitacionais dentro do programa federal Minha Casa Minha Vida. O anúncio aconteceu com o prefeito Alex Batista (PR-GO), aliado político do parlamentar.

Maracutaias do político

Procurado para comentar a emenda de R$ 3 milhões, o senador Gil Argello disse à Revista Época que não há nenhuma irregularidade em sua vida pública ou profissional de seus filhos.

O político chegou a ser relator do Orçamento deste ano. Mas perdeu o cargo após ter sido acusado de destinar recursos do Ministério do Turismo para entidades de fachada. Sobre isto, o senador afirmou que não acompanhava a liberação das verbas previstas em suas emendas e também não conhecia as entidades beneficiadas.