Há 30 anos, exatamente no dia 11 de setembro de 1973, o presidente Salvador Allende, primeiro socialista eleito nas urnas, morria no Palácio La Moneda, na capital do Chile, Santiago, vítima de golpe militar liderado pelo general Augusto Pinochet. A data foi lembrada ontem em sessão especial no Plenário, realizada a pedido do senador João Capiberibe (PSB-AP), que foi exilado político naquele país durante o período do governo de Allende.

O presidente do Senado, José Sarney, lembrou que o assalto ao Palácio La Moneda ocorrido há 30 anos e o atentado às torres gêmeas em Nova York, ambos no dia 11 de setembro, ficam registrados na história para mostrar que soluções de violência não podem ser aceitas. “O crime coletivo tem dimensões apocalípticas”, ressaltou.

Inconcluso

Salvador Allende tinha 65 anos, e a causa de sua morte -se assassinato ou suicídio -permanece até hoje não esclarecida. O presidente chileno nasceu em 26 de junho de 1908 em Valparaíso, porto do Pacífico. Durante o curso secundário estudou os primeiros textos marxistas, integrando-se a movimentos estudantis e na universidade, ao cursar Medicina, torna-se ativo opositor da ditadura de Carlos Ibañez.

Em 1933, assim que se forma como médico, participa da fundação do Partido Socialista do Chile e dirige a Associação Médica Chilena. Na luta pelo retorno da democracia, Allende é preso de julho a dezembro de 1935, no porto de Caldera. Quando libertado, lidera a criação da Frente Popular.

Elege-se senador pela primeira vez em 1945 e, em 1952, candidata-se a presidente pela Frente do Povo, obtendo 52 mil votos. No ano seguinte, vence a eleição para nova vaga no Senado e, em 1957, candidata-se, pela segunda vez, ao cargo máximo da nação. Perde para Jorge Alesandri. No ano seguinte, visita Havana, capital de Cuba, e conversa com os líderes da revolução cubana, Che Guevara e Fidel Castro.

Além de apoiar os mineiros de carvão, Salvador Allende defende a nacionalização do cobre retirado do Chile e os trabalhadores do setor. Em 1961, é eleito pela terceira vez ao Senado, por Valparaíso e Aconcágua. Concorre novamente à presidência em 1964, obtendo quase um milhão de votos, não suficientes para derrotar Eduardo Frei. Dois anos depois – em 1966 – é escolhido para presidir o Senado e, em 1969, renova seu mandato naquela Casa Legislativa.

Finalmente, em sua quarta campanha presidencial, apoiado pela Unidade Popular – que integrava comunistas, socialistas, radicais e outras correntes populares -, Allende é eleito em outubro de 1970. Nas eleições municipais do ano de 1971, a Unidade Popular obtém maioria absoluta dos votos e são iniciadas reformas de base fundamentais para a democratização do Chile.

Salvador Allende, já prevendo o golpe que sofreria, anuncia, em discurso na Assembléia Geral das Nações Unidas, que seu país é vítima de agressões e ingerências internacionais. É aplaudido de pé. Nos meses seguintes, tem início um processo de oposição e de terrorismo no Chile.

Em 11 de setembro, Salvador Allende morre no palácio do governo, defendendo seu cargo em discurso pelo rádio ao povo chileno em que alerta sobre o golpe e prenuncia os anos vindouros. O Chile permaneceu por mais de 17 anos sob ditadura militar presidida pelo general Augusto Pinochet, líder do golpe de 1973.