O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em discurso exaltado, no Palácio do Planalto, voltou a defender a regulamentação da Lei de Greve no serviço público. "Eu não sou contra a greve, eu quero regulamentar a greve. Ninguém pode ficar 70 dias sem trabalhar e depois receber pelos dias que não trabalhou", disse o presidente. Ele chegou a afirmar que há servidores públicos que não sabem a razão de estarem em greve e citou entre eles funcionários do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

A defesa da regulamentação da Lei de Greve, que Lula faz sempre que se refere ao assunto, foi uma resposta a 30 servidores grevistas do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) que conseguiram entrar no Planalto com faixas acusando o presidente de não cumprir acordos e reivindicando aumento salarial.

No momento em que Lula discursava, no Salão Oeste do Palácio do Planalto, seguranças se aproximaram dos manifestantes, que gritavam "Democracia, democracia!", e lhes arrancaram das mãos uma faixa que pedia aumento salarial. A cena se deu a cerca de 20 metros do presidente, e os gritos eram ouvidos em todo o ambiente.

Negociação

Lula dirigiu parte do discurso ao presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Manoel dos Santos, que, momentos antes, discursara em defesa dos servidores grevistas do Incra. Lula lhe disse que, em uma negociação, é preciso ter um limite: "Nessa coisa de negociação, Mané, pode ter igual, mas melhor do que eu não tem, porque aprendi isso no chão de fábrica.

Lula chegou a dizer, ainda dirigindo-se a Manoel dos Santos, que muitas vezes, servidores públicos fazem greve sem ter pauta de reivindicação. "Pergunta por que o Ibama está em greve, hoje. Eles (os servidores do Ibama) não sabem. Tiveram o aumento que queriam. É porque a Marina (ministra do Meio Ambiente, Marina Silva) está propondo uma mudança entre a turma da licença prévia e a dos parques.

Sempre em tom de voz exaltado, Lula disse que, nos quatro anos do seu primeiro mandato, desapropriou 30 milhões de hectares de terra para reforma agrária e que, nos oito anos do governo anterior, foram desapropriados 22 milhões de hectares. "É humanamente impossível, em quatro ou oito anos, fazer o que costuma levar décadas e séculos", afirmou Lula.

E acrescentou: "Quando os companheiros do Incra imaginavam entrar no Palácio do Planalto para fazer protestos? Enquanto eu for presidente, o Incra pode gritar, aqui, ou lá fora. Na hora de fazer acordo, tem de sentar à mesa e fazer o acordo que é possível fazer." O presidente disse ainda que seu governo deu um reajuste médio de 60% para o funcionalismo público. "Quando você dá aumento para uns, todos querem. A folha de pagamento tem um limite. E, se eu gastar tudo com pagamento, não tenho como fazer o Plano Safra, dar assistência técnica (aos agricultores) e fazer assentamentos.