Depois de seis dias de debates sobre as oportunidades e os efeitos da globalização para o desenvolvimento, o secretário-geral da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), Supachai Panitchpakdi, concluiu que é chegada a hora da segunda geração do processo de liberalização e integração dos mercados. Nesta nova etapa, segundo ele, os lucros devem ser distribuídos eqüitativamente entre todos os países. E os principais atores desta nova fase da economia mundial são as nações em desenvolvimento, o Sul do planeta.

"Acredito que isso será o começo de um maior envolvimento da comunidade internacional, no qual não repetiremos os erros. Devemos apenas dar continuidade às coisas positivas e construtivas da primeira etapa da globalização", afirmou hoje (25), ao fazer um balanço da 12ª Unctad, realizada em Acra (Gana).

Na avaliação de Supachai, esta segunda geração da globalização não deve considerar apenas o crescimento econômico, mas precisa focar no desenvolvimento social, dando ênfase a áreas como educação e saúde, entre outras. "A globalização segue excluindo muitos", reconheceu, mais tarde, durante discurso na sessão de encerramento da conferência.

A crise mundial de alimentos foi citada pelo secretário-geral como um dos temas principais da conferência. Segundo ele, devido ao problema, a 12ª Unctad dedicou grande parte dos debates ao desenvolvimento agrícola.

Supachai também lamentou o atraso nessa discussão. "Se tivéssemos feito isso há décadas, não preveniríamos, mas reduziríamos os seus efeitos", constatou. "O comércio sozinho não resolverá nada, isso é certo", admitiu.

Ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Supachai afirmou que a ajuda emergencial é necessária e deve ser articulada com outros organismos e agências que tratam de alimentação, mas conclamou por medidas estruturais para soluções duradouras.

"Neste encontro, fomos cobrados por soluções emergenciais em termos de mobilização de fundos para o Programa Mundial de Alimentos, das Nações Unidas?, ressaltou Supachai. ?Tivemos sucesso nessa mobilização, mas não vamos solucionar o problema se continuarmos trabalhando apenas em medidas emergenciais de curto prazo. Essa crise vai voltar e voltar. Temos que ser capazes de atacar a raiz do problema", ponderou.

De acordo com Supachai, a prioridade da Unctad, neste momento, é solucionar o problema crônico de fome na África. Para isso, foi firmado um novo acordo de solidariedade para o desenvolvimento africano. "Trabalhamos bem a África nos últimos cinco anos em termos de mobilização de investimentos, em termos de governança, de políticas macroeconômicas. Mas este novo acordo para a África significa que devemos ser capazes de capacitar o Estado para que seja orientado para o desenvolvimento", disse. "O desenvolvimento agrícola é parte deste novo acordo para a África.?