Brasília – Em apenas 15 minutos, o senador José Sarney (PMDB-AP) foi eleito ontem presidente do Senado Federal para o biênio 2003-2004, com discurso em defesa do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Disse que o Congresso não poderá se negar à tarefa de “assegurar a governabilidade, aprovar as reformas e promover o pacto social”. Classificou o programa Fome Zero como uma campanha de “mobilizar consciências e vontade”. Tomaram posse hoje os 54 novos senadores, eleitos em outubro.

Sarney, candidato único, obteve os votos de 76 dos 80 senadores presentes. Na votação secreta, apenas dois senadores votaram contra, houve uma abstenção e o próprio Sarney não votou. A única ausência foi da senadora Heloisa Helena (PT-AL), que contestou desde o início o acordo entre PT e PMDB para a eleição de Sarney.

O senador relacionou as reformas tributária e previdenciária como prioritárias e fundamentais para o governo, ressalvando que a agenda do Executivo indica tempos de trabalho e desafios. “Indaga-se muito se é possível fazê-las, se é possível aprová-las na velocidade que o País necessita. Respondo que sim. Basta-nos a vontade política”, afirmou. “A responsabilidade é de todos nós – governo, Congresso e sociedade mobilizada. Agora é a vez de juntar as vontades do Executivo e do Legislativo e enfrentar as pressões”.

Ao elogiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmando que sua biografia é uma “referência do Brasil para o mundo democrático, Sarney defendeu a necessidade de um pacto social. “Torna-se possível vislumbrar a construção de um pacto social com a diminuição das tensões, com a compreensão das elites de que é hora de ceder espaços para ganhar o principal, que é a paz social.”

Num longo discurso de louvor ao Senado, à democracia e a sua própria biografia, Sarney elogiou o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que desistiu de disputar o cargo após fortes pressões do Palácio do Planalto e de setores do seu partido. “Fui persistente no desejo de ocupar esse cargo, pelo fascínio que me desperta e estimula o momento atual da vida brasileira”, disse.