A adesão da população da Grande São Paulo ao bônus na conta voltou a subir em setembro deste ano, segundo informou nesta quinta-feira, 8, a Sabesp. Dados da empresa mostram que 81% dos clientes diminuíram seu consumo em relação à média anterior à crise hídrica. A adesão havia sido de 80% no mês anterior – o agosto mais quente dos últimos dez anos.

No total, detalha a empresa, a economia de água feita pelos moradores atendidos pela Sabesp fez com que a companhia deixasse de retirar 6.300 litros por segundo das represas que abastecem a capital e a Região Metropolitana de São Paulo. “O volume economizado é suficiente para abastecer quase 2 milhões de pessoas, correspondente às populações somadas das cidades de Campinas, Sorocaba e Santos”, informa.

A empresa ressalta que em todo o mês de setembro, a população poupou 16,3 bilhões de litros de água. Para ter uma ideia do quanto isso representa, esse volume equivale praticamente à capacidade total do Sistema Alto Cotia – no qual cabem 16,5 bilhões de litros de água.

A Sabesp afirma em nota que essa economia de 6.300 litros por segundo é fundamental para manter o abastecimento na região, que desde o início da crise hídrica teve a sua produção de água reduzida em 27%. Em fevereiro de 2014, a produção da Grande São Paulo era de 71.420 L/s. No mês passado, o total de água produzida foi de 52.160 L/s.

A empresa detalha ainda que dos 81% que reduziram o gasto de água em setembro, 70% efetivamente ganharam o bônus, enquanto os demais 11% diminuíram o consumo, mas não o suficiente para receber o desconto na fatura da Sabesp. Tem direito ao benefício o cliente que baixar o gasto na comparação com a média do período de fevereiro de 2013 a janeiro de 2014, antes da crise – é a mesma base utilizada para determinar a cobrança do ônus.

Já a parcela de clientes que aumentou o consumo, mesmo diante da crise, caiu de 20% para 19%. Porém, manteve-se em 12% a fatia que pagou sobretaxa. Os outros 7 pontos percentuais não recebem o ônus porque consomem o volume mínimo de 10 mil litros mensais.

Alto Tietê

A empresa destaca ainda a entrada de água nas represas do Sistema Alto Tietê no mês passado. “Esse dado, chamado de afluência, é fundamental porque, com o solo seco, parte da água provinda das chuvas acaba sendo absorvida pela terra para recarregar o lençol freático – é o efeito esponja”, explica.

Pela primeira vez desde o início da crise, em janeiro de 2014, a afluência medida no Sistema Alto Tietê ficou acima da média histórica. Em setembro de 2015 a entrada de água foi de 15.600 litros por segundo; a média é de 13.300 L/s. O resultado disso é que, mesmo em um mês seco, o Alto Tietê viu seu nível subir de 13,7% para 15%.

A empresa lembra que o mês de setembro encerra o período seco, iniciado em abril e que de outubro a março, a região Sudeste, incluindo a capital paulista, entra na temporada de chuvas. Segundo a Sabesp, a água armazenada hoje nos seis sistemas que possuem represas na Grande São Paulo é maior do que um ano antes – são 152,4 bilhões de litros armazenados agora, ante 139,9 bilhões em 30 de setembro de 2014. “Isso é fruto das ações da Sabesp, que está tirando 27% menos água do que no início da crise”, diz.