Brasília – Entidades ruralistas reuniram duas mil pessoas ontem, em Presidente Prudente, no Pontal do Paranapanema, para protestar contra as invasões de fazendas pelos sem-terra e exigir que o governo cumpra as leis que garantem o direito de propriedade. Líderes reclamaram da omissão das autoridades e da falta de ações contra o que chamaram de “atos de terrorismo” e “anarquia” no campo.

“Exigimos e merecemos respeito, pois somos vencedores”, disse o presidente da Sociedade Rural Brasileira, João de Almeida Sampaio, ao lembrar que a produção agrícola é responsável pelo superávit da balança comercial. O presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia, criticou a ação dos sem-terra e bateu forte no governo Lula. “O presidente chama essas organizações criminosas de meus amigos, mas quem corta cerca, mata boi, invade casa e põe fogo é bandido. São atos de terrorismo.”

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, informou ontem que reconhece o protesto da UDR como uma manifestação legítima. Mas não vai polemizar com a entidade, por não ver razão para o aumento das tensões no campo, justo agora que, como acredita, a reforma agrária começou a deslanchar. “Respeitamos qualquer manifestação seja de trabalhadores, ruralistas ou agricultores. Só não há espaço neste governo para atos ilegais”, avisou.