Rio – O risco de se morrer em decorrência de ferimentos provocados por armas de fogo é 2,6 vezes maior no Brasil do que no restante do mundo. Em cada 100 mil brasileiros, 21,8, em média, são vítimas de tiros a cada ano. Os dados, calculados com base em informações do Ministério da Saúde, constam do relatório ?Brasil: as armas e as vítimas?, produzido pelo Instituto Superior de Estudos da Religião (Iser). Diariamente, 94 pessoas são assassinadas no País com o emprego de armas, ainda de acordo com o levantamento. Outras quatro usam as armas para se suicidar e uma é baleada acidentalmente. Em 2002, 38.088 pessoas foram vitimadas – quantidade superior à de envolvidos em acidentes de trânsito, que somaram 32.753 naquele ano. Os números são compatíveis com países menos desenvolvidos, em que há mais homicídios do que suicídios. Nos Estados Unidos, por exemplo, os suicídios corresponderam a 58% das mortes por armas de fogo e os homicídios a 39% (4% foram acidentais ou tinham a intencionalidade desconhecida). Luciana Phebo, pesquisadora responsável pelo levantamento do impacto da arma de fogo na saúde da população no Brasil, destaca que uma observação cuidadosa dos dados revela que aumentou o volume de acidentes com armas de fogo, o que se deve à grande quantidade de armamento em circulação – são 17.314.885 no total, segundo o relatório. ?Este é um argumento muito forte a favor da campanha pelo desarmamento?, disse Luciana. A maior parte das vítimas é de jovens entre 15 a 24 anos, mas os ainda mais novos, que têm entre 0 e 14 anos, também aparecem nas estatísticas.

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