O Rio de Janeiro é o município mais suscetível às mudanças climáticas no Estado. O dado consta de relatório da Fundação Oswaldo Cruz, que, a partir de parâmetros como condições de saúde da população, cobertura vegetal e informações sociais, como renda, situação da moradia e acesso à educação e trabalho, traçou o Mapa de Vulnerabilidade da População do Estado aos Impactos das Mudanças Climáticas.

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De acordo com Martha Barata, coordenadora geral do projeto e pesquisadora em Clima do Instituto Oswaldo Cruz, o índice criado balizará políticas públicas para reduzir as mortes em catástrofes naturais, como enchentes e deslizamentos de encostas. A ideia é que esse índice, feito para os 92 municípios fluminenses, seja ampliado para todo o país.

“As mudanças climáticas estão ocorrendo e temos que tomar medidas para nos adaptarmos. A cidade do Rio de Janeiro hoje é a que será mais impactada e tem menos condições de resposta neste momento. Precisa se preparar já”, afirmou Martha.

A equipe liderada por Martha e pelo pesquisador Ulisses Confalonieri criaram o Índice de Vulnerabilidade do Município. Foram avaliados o número de casos de doenças, como dengue, leishmaniose e leptospirose, influenciadas pelo aumento das chuvas.

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Os pesquisadores também analisaram, com base nos dados do Censo 2010, a estrutura familiar nos municípios, renda, condições habitacionais. Outro parâmetro foi a conservação da biodiversidade, vegetação nativa, e número de mortes em eventos climáticos extremos. A partir desses dados, os municípios foram enquadrados num índice que varia de zero (menor vulnerabilidade) e 1 (maior vulnerabilidade às mudanças climáticas.

O Rio de Janeiro ficou com índice máximo. “A parte de saúde do Rio é mais vulnerável. São doenças relacionadas com a variação do clima, como dengue, leptospirose. E o Rio de Janeiro tem características ambientais muito importantes: temos uma riqueza ambiental e diversidade que é a maior do Estado. Por termos muitas favelas, pessoas morando em locais inadequados, temos mortes por eventos climáticos extremos, como chuvas, inundações”, explicou Martha. “Não quer dizer que o município do Rio é pior do que o outro. Ele precisa de um plano de resiliência (adaptação) melhor para responder ao impacto”.

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Depois do Rio de Janeiro, os municípios de Magé (1), Angra dos Reis (0,97), Campos dos Goytacazes (0,94) e Magé (0,86) registraram os índices mais elevados de vulnerabilidade. “Um dos quesitos avalia a reação do município aos eventos extremos, inclusive com número de mortes. Fica muito caracterizado que a Região Serrana e Angra dos Reis têm que tomar maior cuidado nesse quesito. É um alerta”, afirmou Martha.