Rio (AE) – Após mais uma série de assaltos a turistas, o governo do Rio anunciou ontem que estrangeiros terão ?tratamento especial? no registro de ocorrências: serão atendidos nos hotéis. Na prática, é o B.O. (Boletim de Ocorrência) delivery, apesar de a Delegacia Especial de Atendimento ao Turista (Deat) negar a definição. A medida foi anunciada após duas horas de reunião de representantes da Secretaria da Segurança Pública com representantes do setor de turismo. ?Agora o atendimento ao turista será feito no próprio hotel, e não na delegacia. É elegante que se faça isso, diante da situação que a pessoa está passando?, declarou o secretário de Turismo, Eduardo Paes.

Ele tentou minimizar o assalto a turistas que estavam em um ônibus de linha regular, no Aterro do Flamengo, na noite de terça-feira. ?O que preocupa é a ação de marginais atacando grupos de turistas. Era uma linha regular, temos que posicionar as coisas.?

O comandante da Polícia Militar, coronel Ubiratan Ângelo, também defendeu o atendimento personalizado em hotéis. Segundo ele, cada vez que se desloca um turista para a Deat há uma ?exposição maior? e ?cada assalto parece 20 assaltos?. Ele afirmou que a ?modalidade? do assalto de terça-feira foi diferente daquela que vinha ocorrendo na cidade, com ataques na Linha Vermelha a estrangeiros que chegam no Aeroporto Tom Jobim. ?Coincidentemente havia turistas no ônibus?, disse.

O coronel afirmou que, com a repressão nas vias expressas, criminosos ?começaram a migrar? para linhas regulares. ?O ônibus não era de turismo, o alvo não era um grupo de turistas?, repetiu o delegado Fernando Veloso, titular da Deat. Ele argumentou que equipes que atuam nas ruas, na prevenção de crimes, serão deslocadas para tomar os depoimentos nos hotéis. ?A idéia é resolver uma série de problemas. Não é o B.O. delivery. O policiamento ostensivo vai aumentar. A idéia é prestar um serviço de mais qualidade?, disse o delegado, que há uma semana recebeu o reforço de dez policiais. Ele não quis divulgar o efetivo da Deat, por ?medida de segurança?.

O presidente do Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes do Rio, Alexandre Sampaio, que também participou na reunião, disse que o principal problema para o turismo foi a crise aérea e as chuvas do início do ano, e não a violência. Ele repetiu o discurso de que o objetivo dos assaltantes do ônibus não era atacar turistas.