Um dia após ser absolvido da primeira acusação de quebra de decoro parlamentar, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), deixou claro que vai permanecer do cargo, descartando a hipótese de uma licença, sugerida pelo senador Aloizio Mercadante (PT-SP). Renan também proclamou que, por ter sobrevivido a uma campanha que tentava substituí-lo sem apresentar provas de irregularidades, está apto a comandar votações polêmicas como a prorrogação da CPMF. "Se eu não tiver condições de presidir o Senado, quem é que vai ter, num quadro de absoluta divisão?", perguntou, durante entrevista hoje à Rádio Gaúcha.

Para justificar sua convicção de que deve permanecer no cargo, Renan deu a entender que manteve sua capacidade de articulação política, necessária para fazer funcionar uma Casa dividida. O resultado da votação que o absolveu, por 40 votos contra 35 e seis abstenções, seria uma demonstração de força porque, ao longo de 110 dias de processo e de muitas acusações, o senador diz ter perdido apenas cinco apoios. "Não adianta tirar o presidente do Senado sem ter provas e colocar alguém com menos capacidade de conversação, de articulação, porque, ao invés de melhorar, as coisas vão piorar", sustentou Renan, que qualificou a absolvição como sua terceira eleição para a presidência do Senado. "Foi uma renovação da confiança da Casa no seu presidente", afirmou.

O senador alagoano também atacou seus adversários e a imprensa. "Os acusadores não apresentaram uma prova sequer de nada, acusaram por acusar, por ouvir dizer, e nada do que eu disse foi editado da forma que eu disse, mas sempre de uma forma a me prejudicar", reiterou. "Me acusaram dizendo que era uma questão política e que como questão política tinha que ser resolvida, mas retrucamos que era uma questão jurídica, que tinha que ter prova, delito e crime para ter uma condenação".

Ao falar de suas relações com a jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha de três anos fora do casamento, Renan sustentou que assumiu suas responsabilidades, registrou a paternidade, paga pensão e não misturou questões pessoais com sua atividade política. O senador recorreu a uma hipótese para justificar suas explicações. "Bastava que eu contratasse a produtora de televisão da Mônica Veloso e pago aqui no Senado, aí sim era motivo de cassação porque estaria misturando o público com o privado".

Absolvido em sessão secreta, Renan admitiu que é contra o voto aberto em situações específicas, para que o eleitor fique protegido de pressões políticas, econômicas e da imprensa, que, segundo o senador, "nos momentos de crise vira partido político".