A reforma política entra na pauta de votação do plenário da Câmara nesta semana sem que os partidos se entendam sobre os pontos básicos do projeto: o financiamento público de campanha, que será exclusivo, e o voto do eleitor em lista fechada apresentada pelos partidos em substituição ao voto direto no candidato. A discordância não é apenas entre os partidos, mas está internamente nas próprias bancadas.

Disposto a enfrentar a votação, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), reconhece ser difícil prever o resultado. ?Vamos colocar em votação. A reforma política eleitoral que sair nós vamos saber depois?, afirmou. Na terça, Chinaglia reunirá os líderes para tratar da votação da proposta. Ficou acertado que os pontos do projeto serão votados de forma nominal, com o registro no painel eletrônico para comprometer o deputado com o resultado. O voto em lista é classificado como a volta da eleição indireta pelos deputados contrários ao sistema. Ele prevê que o eleitor dê o seu voto na legenda e os eleitos serão os primeiros da lista de candidatos definida pelo partido.

?O eleitor vai pagar a conta e perder o direito de escolher o deputado?, critica Arnaldo Madeira (PSDB-SP). O tucano afirma que a proposta de reforma que será votada não enfrenta o problema da distância do eleitor com o deputado. ?O povo não se sente representado nesta Casa e essa reforma não resolve isso. Pelo contrário, vai tornar mais distante ainda, porque vai ter uma cúpula partidária que vai fazer a lista e o deputado não terá nada a ver com o eleitor.?

Defensor da lista fechada e do financiamento público de campanha o presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP), argumenta que há uma ?hipocrisia política? na qual todo brasileiro pode se candidatar e fazer sua campanha. ?Todos sabemos que quem não tiver acesso aos meios privados não fará uma campanha competitiva, capaz de disputar uma vaga no Parlamento.? A Executiva do PT reúne-se com a bancada do partido em busca de uma posição de consenso.