Brasília – Um almoço realizado ontem praticamente selou o acordo entre os partidos para aprovar, em primeiro turno, a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) sobre a reeleição nas presidências da Câmara e do Senado. Até o fechamento desta edição, o Plenário estava votando nominalmente o requerimento do líder do PT, deputado Arlindo Chinaglia (SP), para o encerramento da discussão da Proposta de Emenda à Constituição 101/03, do deputado Benedito de Lira (PP-AL), que autoriza a reeleição dos membros das Mesas Diretoras da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Com exceção do PP, os demais partidos encaminharam o voto sim, pelo encerramento da discussão.

A PEC da reeleição acabou virando um plebiscito de aprovação do atual presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP). O almoço então serviu para que as lideranças partidárias fechassem pela aprovação da reeleição e evitassem uma “derrota” e um “constrangimento” para João Paulo.

O encontro, que também contou com a presença do presidente da Câmara, foi realizado na casa do líder do PP, Pedro Henry, e teve a participação de todos os líderes partidários, com exceção de PFL, PSC e PC do B.

“O que está em voto é se o João Paulo tem ou não a prerrogativa da reeleição”, disse Pedro Henry. O líder do PP acredita que a não aprovação da PEC significaria um “veto” a João Paulo Cunha e causaria um “desconforto” na Casa. Para ser aprovada, a PEC precisa receber 308 votos favoráveis. Os líderes avaliam que o atual quadro na Câmara contribuiu para aprovação nesta quarta-feira.

O PSDB é o único partido que vai encaminhar decisão contrária à PEC. Os demais pretendem liberar a bancada, mas encaminhar voto favorável. Apenas o PMDB não deve tomar posição. O partido encontra-se mais uma vez dividido, agora pelo fato de o líder do partido no Senado, Renan Calheiros, articular contra a reeleição, já que pretende se candidatar em 2005 à vaga do seu colega de partido, José Sarney (AP). O atual presidente do Senado, aliás, não quis comentar a votação e argumentou que era uma decisão das bancadas partidárias.

Proteção

Cunha (PT-SP), em busca de apoio para aprovar a proposta, recorreu à proteção divina. “Eu queria, sob a proteção do padre Cícero, pedir o apoio dos companheiros, sem nenhum receio”, disse Cunha, em discurso, durante café da manhã com os deputados nordestinos, depois de defender a votação do projeto que cria a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), antiga reivindicação da bancada.