O líder do PMDB no Senado, Waldir Raupp (RO), disse que foi surpreendido pela renúncia de Sibá Machado da presidência do Conselho de Ética. Segundo ele, o partido tinha concordado com a votação do parecer do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA), relator licenciado do Conselho, favorável ao arquivamento do processo contra o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), e com o encaminhamento da denúncia sobre o uso de notas frias, para comprovação de renda à Mesa do Senado, para que fosse encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Raupp negou que o motivo da renúncia de Sibá tenha sido a pressão do PMDB, pelo arquivamento da denúncia. Ele disse também que em nenhum momento o partido tentou negociar o apoio do governo para o arquivamento da denúncia no Conselho de Ética. "Não foi o PMDB que gerou essa situação. Nunca, em tempo nenhum tratamos desse assunto com o governo. O que está havendo é uma questão do Congresso, do Senado, a quem cabe, entre outras coisas, preparar o regimento do Conselho de Ética para que os senadores possam trabalhar dentro do que prevêem as normas, levando em conta as limitações do órgão de estender as investigações à área fiscal ou bancária de quem quer que seja. Nesse caso deve ser criada uma CPI ou remeter o assunto para o STF", disse o líder.

Valdir Raupp não acredita que haja mais tempo para votar o processo contra Renan, no Conselho, ainda nesta semana.

O vice-presidente do Conselho de Ética, Adelmir Santana (DEM-DF) terá cinco dias para ficar interinamente na presidência do colegiado e fazer os preparativos para a eleição do novo presidente. Hoje, Sibá Machado disse que só falará sobre sua saída do Conselho no plenário do Senado.