No início da noite de ontem, militantes do PSTU e dissidentes do PT discutiram o lançamento de um novo partido, que embora ainda não tenha uma sigla definida tem como proposta ser uma alternativa de esquerda. Para recepcionar lideranças e dirigentes dos sindicatos e entidades que manifestaram interesse em integrar-se à nova legenda, o presidente nacional do PSTU, José Maria Almeida, esteve em Curitiba para explicar como deverá acontecer sua criação. “Precisamos unir os socialistas que romperam com o PT e toda militância que se opõe ao governo Lula, devido à sua capitulação ao FMI e à burguesia, num movimento onde todos possam intervir juntos nas lutas, e debater o programa e caráter do novo partido”, defendeu.

No entanto, o novo partido já nasce rachado. Isso porque parlamentares do Rio de Janeiro lançaram uma nova legenda, o PTS (Partido dos Trabalhadores Socialistas), que tem como bases programáticas as mesmas que nortearam o PT nos últimos vinte anos. “Alguns radicais do PT querem fazer um partido sem discutir com a base, e nós queremos ouvir a militância”, afirmou Claudemir Figueiredo, ex-candidato ao governo do Paraná pelo PSTU.

Apesar disso, ele acredita que ainda é possível unir todos os descontentes em um mesmo partido. “Em função do PT, como governo, estar implantando a mesma política neoliberal do Fernando Henrique Cardoso, queremos criar um novo partido, que deverá se consolidar como um movimento revolucionário e socialista”, explicou. “Nós cederemos a legenda para os candidatos, com o compromisso da construção de um outro partido”. Segundo ele, o PSTU está aberto para os militantes de esquerda e para os filiados do PT que estão ameaçados de expulsão poderem disputar as eleições. Após a formação da nova legenda o PSTU deverá ser dissolvido.

A intenção é formar núcleos de organização em todos os Estados, já que a proposta é nacional. A discussão já aconteceu no Rio de Janeiro, São Paulo, Maceió, Goiânia, Belo Horizonte, Recife, Ribeirão Preto, Bauru e Porto Alegre. Hoje, o debate acontece em Florianópolis, e no dia 22 em Salvador.

“Não queremos acelerar um processo, discutindo agora qual o nome da legenda. Primeiro estamos construindo um movimento para debater a formação de um novo partido. Vamos levar de um a dois anos para a concepção do programa, já que nossa meta não é construir apenas uma nova legenda eleitoral”, explicou Diego Sturdze, presidente estadual do PSTU.

Suplicy propõe acordo

Brasília

(AE) – O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) saiu ontem da reunião da bancada de senadores do PT com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto e relatou ter sugerido ao presidente que tente pessoalmente um entendimento com a senadora Heloísa Helena (PT-AL), ameaçada de ser punida pelo partido por ter votado vários vezes contra propostas de interesse do governo. Lula, segundo Suplicy, respondeu: “Eu gosto muito da Heloísa Helena, mas será que ela quer mesmo ficar no PT? Já no primeiro mês de governo, ela estava contra”.

Suplicy fez ao presidente a observação de que ele, Lula, está tentando ajudar o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) a chegarem a um entendimento e colaborou na melhoria das relações entre o presidente venezuelano, Hugo Chávez, e o dos Estados Unidos, George Bush.