Cuiabá (AE) – Com 56 mandados de busca e apreensão e 54 mandados de prisão, a Polícia Federal (PF) desmantelou ontem uma grande organização criminosa especializada em aquisição fraudulenta de ambulâncias e móveis para prefeituras, a partir da apresentação de emendas parlamentares no Congresso. Foram 50 pessoas presas na Operação Sanguessuga, incluindo funcionários da Câmara dos Deputados e do Ministério da Saúde e dois ex-deputados federais: Ronivon Santiago (PP-AC) e Carlos Rodrigues (PL-RJ) – conhecido como Bispo Rodrigues -, que se apresentou à PF. As prisões ocorreram nos estados de Mato Grosso, Goiás, Acre, Paraná e Amapá e no Distrito Federal.

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A quadrilha teria movimentado R$ 110 milhões entre 2001 e 2005.

De acordo com a PF, Cuiabá era a sede do grupo que fraudava licitações de bens como móveis, equipamentos e veículos do Ministério da Saúde com várias prefeituras nos estados de Mato Grosso, Acre, Amapá, Rio de Janeiro, Paraná e Minas Gerais. A operação criminosa era comandada pela família Trevisan Vedoim, que tem duas empresas em Cuiabá, a Planan Indústria e Comércio e a Santa Maria Comércio, informou o superintendente da Polícia Federal em Mato Grosso, Aldair Rocha.

Segundo a PF, o esquema de corrupção funcionava da seguinte forma: o bando fazia contato com representantes dos municípios para saber se tinham interesse em adquirir uma ambulância ou "odontomóvel". Os prefeitos recorriam a deputados na ativa para apresentarem emendas parlamentares para compra de ambulâncias. Com os recursos assegurados no Ministério da Saúde, uma ex-funcionária da Planan, Maria da Penha Lino, que ocupava cargo comissionado no ministério desde o governo Fernando Henrique Cardoso, agilizava o processo de aprovação dos convênios e a liberação do dinheiro. Nas prefeituras, a licitação era dispensada e a compra dos veículos era fraudada, com desvio de recursos e o beneficiamento das empresas Planan e Santa Maria, cujos donos foram presos.

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O delegado Aldair da Rocha informou que, nas 75 prefeituras de Mato Grosso envolvidas, a licitação era dispensada e a compra dos veículos era fraudada, com desvio de recursos. O superfaturamento nas compras chegava a 120%. "Em vez de utilizarem o modelo de licitação ‘tomada de preço’, utilizada em compras nos valores entre R$ 80 mil e R$ 1,6 milhão, as licitações eram abertas em carta-convite, modalidade para valores até R$ 80 mil com três participantes. Daí a participação da Planan, Santa Maria e outra fantasma", explicou o delegado.

As investigações, iniciadas em 2004, apontam a Associação Mato-Grossense dos Municípios (AMM) como intermediadora da organização criminosa com as prefeituras. O presidente da AMM, José Aparecido dos Santos, negou a participação da entidade no esquema. A Polícia Federal informou que, entre os presos, estão assessores do senador Ney Suassuna (PMDB-PB) e dos deputados federais Laura Carneiro (PFL-RJ) e João Mendes de Jesus (PSB-RJ). O deputado Ronivon Santiago foi cassado no final do ano passado. Ele teve a perda de mandato decretada pela Justiça por crime eleitoral cometido em 2002, mas permanecia na Câmara devido a manobras judiciais. O Bispo Rodrigues renunciou em setembro ao mandato, após enfrentar acusações de ser um dos beneficiários do "mensalão".

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Todos os detidos serão transferidos para a carceragem da Superintendência da Polícia Federal em Cuiabá. Eles são acusados de crimes contra a ordem tributária, formação de quadrilha, fraude em licitação e corrupção ativa e passiva. Cerca de 250 homens da PF foram mobilizados para cumprir os mandados de prisão e apreensões.