Brasília – O presidente nacional do PT, José Genoino, disse, ontem, no 1.º Encontro Nacional de Prefeitos Eleitos do partido, que a legenda quer ampliar as alianças para garantir a sustentação política do governo federal. "O PT considera que é necessário ampliar as alianças e consolidar a coalizão política para cumprir a agenda de 2005."
Mas as cúpulas do PT e do governo enquadraram os prefeitos insatisfeitos com os rumos da política econômica e divulgaram um documento final do encontro com apoio explícito e defesa irrestrita das ações do governo Lula. Ignorando os debates onde os prefeitos, principalmente de pequenas cidades, cobraram mudanças para melhorar a geração de emprego e renda nos municípios, a direção do PT redigiu a "Carta de Brasilia", repetindo o clima triunfalista passado nos discursos de abertura por Lula e pelo ministro da Casa Civil, José Dirceu.
O tom otimista da "Carta" não retratou, entretanto, a preocupação de prefeitos, que reclamaram que os bons indicadores econômicos divulgados pelo governo não chegaram ainda à vida do cidadão comum, nos municípios, e que, se a cúpula do PT e do governo não admitirem a discussão deste problema, o presidente Lula não será reeleito e o PT enfrentará grandes dificuldades na campanha de 2006.
"Sinfonia"
No mesmo evento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a política econômica comandada pelo ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e disse que sua equipe de governo está afinada como a Quinta Sinfonia de Beethoven. Discursando para um platéia de quase 400 prefeitos eleitos, o presidente afirmou que o ritmo afinado de sua equipe de governo tem deixado muita gente nervosa, "porque os rapazes estão dando certo". Lula disse ter recebido críticas, que com o tempo teriam se provado equivocadas, à composição do seu ministério.
"Colocar uma mulher de ministra das Minas e Energia, aquilo é lugar para homem. Colocar a doçura da Marina no Meio Ambiente, não é possível. Sabe, as coisas estão funcionando cada dia melhor e cada dia eu tenho mais motivo de orgulho", declarou Lula.
No discurso, Lula discordou de análises de que o PT perdeu a classe média nas eleições municipais e de que houve uma polarização entre o PT e o PSDB. Segundo Lula, PT e PSDB tiveram apenas um terço dos votos nas eleições e os demais partidos ficaram com os outros dois terços, "numa demonstração da pluralidade do comportamento eleitoral do povo brasileiro". "Que classe média, cara pálida? O PT não perdeu. Nem o PT perdeu, nem o PT e o PSDB foram protagonistas desse processo eleitoral", disse.
Entre os conselhos e alertas que fez aos prefeitos, Lula lembrou que os problemas e as divergências estão aí para serem enfrentados. "De vez em quanto, vocês sabem que tem problemas, divergências, mas isso quem não tem?", comentou o presidente.
Estados cobram mais empenho
Brasília – O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, cobrou empenho do governo para resolver o impasse em torno do ressarcimento dos Estados pela isenção de ICMS para os produtos de exportação, previsto na Lei Kandir. "Os Estados vêm fazendo a sua parte, pagando quase que sozinhos a conta da desoneração, e o governo federal não está tratando essa questão com o relevo que deveria ter", afirmou Aécio, ao chegar ao Ministério da Fazenda para o encontro de governadores com o ministro Antonio Palocci, ontem, para tratar do assunto.
Aécio afirmou que alguns Estados não estão tendo condições de honrar os créditos. "Isto é um ciclo que tem que ser fechado", disse o governador. O governador de Minas disse, ainda, que essa não deve ser uma responsabilidade solitária dos estados. "O governo federal deve participar desse esforço, e isso não acontece na proposta (do Orçamento Geral da União para 2005) enviada ao Congresso."
O governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto (PMDB), afirmou que espera deixar a reunião com Palocci com uma solução para os problemas do fundo de compensação da Lei Kandir. "Não posso acreditar que não vá haver uma compreensão dessa realidade", disse, referindo-se à inexistência de previsão de recursos para o fundo de compensação na proposta de Orçamento de 2005 encaminhada pelo governo ao Congresso Nacional, em agosto.


