![]() |
| Lula: o importante, agora, é agradar aos aliados e não deixá-los escapar. |
Brasília – A eleição de Severino Cavalcanti (PP-PE) para a presidência da Câmara acendeu o sinal amarelo no Palácio do Planalto: se governo e PT não começarem a se aproximar dos aliados, ficarão isolados em 2006. Diante disso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está reforçando recados já enviados ao PT de que pretende fortalecer, no ano que vem, as alianças regionais com os partidos da base. Isso significa que, em nome do projeto de reeleição, Lula está disposto a sacrificar pretensões petistas País afora.
Segundo interlocutores do presidente, diferentemente de 2002, quando o PT lançou candidatos em quase todas as capitais e grandes cidades, em 2006 não serão aceitas candidaturas petistas que possam prejudicar aliados. O que está em jogo é a reeleição e Lula não quer problemas com a base. Para o ministro Jaques Wagner, do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, Lula não deve abrir mão de comandar as articulações do PT: "Em 2006, o jogo é outro. Trata-se da reeleição. Lula vai preparar o partido para priorizar a eleição presidencial, o que significa uma disposição maior para alianças nos estados".
Antes mesmo da eleição de Severino, Lula já deixava claro que pretendia ampliar as alianças partidárias nos estados. Em recente viagem a Goiânia, chamou o ex-prefeito Pedro Wilson (PT) para uma conversa. Na frente do senador Maguito Vilela (PMDB), o presidente disse que queria uma aliança. Pedro Wilson é pré-candidato do partido ao governo de Goiás. Em 2004, ele disputou e perdeu a Prefeitura para Íris Rezende (PMDB). "Nada de lançar candidatura. Aqui, vamos apoiar Maguito", avisou Lula.
Em conversas fechadas, Lula defende acordo no maior número de estados, com o PT cedendo a cabeça-de-chave. Entre as alianças defendidas publicamente, estão as pré-candidaturas do PMDB em Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, Alagoas, Ceará e Roraima. Os partidos da base, fortalecidos após a eleição de Severino, agora jogam duro com o governo.
Paraná
A estratégia do Planalto bate de frente com os interesses do PT nos estados. No Paraná, por exemplo, uma das maiores lideranças regionais do partido, o prefeito de Londrina, Nedson Micheletti, avisou que é interesse dos militantes e do partido lançar um nome para concorrer ao governo do Estado. Nedson chegou a mencionar dois nomes com fortes chances eleitorais: o deputado Paulo Bernardo, uma das mais expressivas lideranças do partido na Câmara Federal e o presidente brasileiro na Itaipu Binacional, Jorge Samek. O presidente regional do PT, deputado André Vargas, também é favorável a candidatura própria.
Mas esta não seria a primeira e única vez que o PT faria isso. Nas eleições municipais do ano passado, a direção nacional do partido investiu pesado na candidatura de Inácio Arruda (PCdoB) à Prefeitura de Fortaleza, alegando que Luizianne Lins, a preferida pelo PT local, não teria condições de derrotar as oligarquias cearenses. Luizianne foi contra a direção nacional e derrotou todos os seus adversários.
Partido esquece caso de Luizianne
Fortaleza – Luizianne Lins foi eleita vereadora de Fortaleza em 1996. E reeleita em 2000. Em 2002 concorreu a uma cadeira na Assembléia Legislativa. Foi a terceira mais votada em Fortaleza com 61 mil votos. A trajetória da candidata é considerada sua melhor e maior moeda política. Luizianne peitou a direção nacional do partido quando comprou a briga pela candidatura própria à Prefeitura de Fortaleza.
Falando como quem não tem medo de cara feia, foi tachada de ”aventureira” pelo cacique maior do partido, José Genoíno, que queria o PT cearense apoiando Inácio Arruda (PCdoB), o candidato que detinha 34% das intenções de voto de acordo com a última pesquisa divulgada pelo Ibope. Ela foi às urnas, nas instâncias internas do partido, e venceu todas as disputas. O PT nacional desistiu. ”É com esse PT que vou ganhar a eleição. Porque é ele que as pessoas conhecem”, desafiou Luizianne.



