Brasília  – As eleições municipais de outubro podem minar a aliança partidária que apóia o governo Lula no Congresso. Em nenhuma das capitais o PT conseguirá o apoio de todos os aliados que tem em Brasília. E em algumas capitais não fechou ainda aliança com qualquer dos partidos da base.

O PL, partido do vice-presidente José Alencar, negocia com o PT em apenas quatro cidades. Com o PMDB, maior partido da base, não há coligação acertada até agora.

O mesmo acontece com o PPS. O PCdoB, mais tradicional dos aliados petistas, vai acompanhar o partido do presidente em 11 desses municípios, mas não teve ainda a contrapartida do PT nas três capitais em que lançará candidatos. “Quem fez planos de se aliar ao PMDB em 800 municípios foi o PT. Esses planos se esvaneceram, e não é uma orientação da direção nacional que vai resolver isso”, diz o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), rejeitado para ser vice na chapa da prefeita Marta Suplicy, em São Paulo, e já lançado para disputar a Prefeitura.

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto (SP), diz que as dificuldades do País pesam na hora de optar por um palanque: “Temos de avaliar a situação econômica. Se continuar como está, não vai dar para irmos com o PT. O presidente Lula não contou para o povo que o País estava estraçalhado, cometeu um erro grave e vai pagar na eleição”, comentou.

Com outro companheiro histórico, o PSB, o PT só dividirá cinco palanques: Rio Branco, Boa Vista, Recife, Aracaju e Rio. A reeleição do prefeito de Aracaju, o petista Marcelo Déda, é a única que une a maior parte dos partidos da base – PCdoB, PSB, PTB, PL. Ficam de fora o PMDB, o PP e o PPS. “A maioria das alianças será no segundo turno. Nossos aliados querem crescer. Isso faz parte da vida e temos de entender”, diz o presidente do PT, José Genoino.

Dificuldades

A oposição planeja tirar proveito do racha na base governista e vai jogar os temas nacionais nos debates para tentar enfraquecer candidatos petistas. “Desemprego, ética e segurança serão os temas nos grandes centros. A eleição será arrasadora para o PT, que sairá derrotado para a eleição de 2006”, diz o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC).