Há dez anos tucanos e petistas disputam
a hegemonia da política brasileira.

Brasília – As eleições municipais deste domingo vão acentuar a polarização entre o PT e o PSDB, que desde as eleições presidenciais de 1994 disputam a hegemonia da política brasileira. O partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sairá mais robusto das eleições, elegendo pela primeira vez, em quantidade, candidatos no interior do País. O PSDB se firma como o principal partido de oposição e, devido ao seu desempenho em São Paulo, sai do pleito em condições de lançar uma candidatura com força para tentar impedir a reeleição de Lula.

No meio da estrondosa derrota do PFL, o prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia, sai das urnas como o principal líder de massas do partido. As eleições municipais também não apontaram o fortalecimento de uma terceira via que pudesse mudar os rumos da sucessão presidencial daqui a dois anos, o que fortalece a polarização PT-PSDB.

O desempenho aquém do esperado do PMDB no Rio de Janeiro enfraquece a candidatura de Anthony Garotinho à Presidência da República. E com reflexos na correlação de forças na aliança, que apóia o governo Lula, os resultados apontam para o crescimento do PSB e para o insucesso do PTB. “As eleições confirmam uma tendência de polarização entre PT e PSDB”, diz o presidente do PT, José Genoino.

“O PSDB volta a ser um partido importante nos grandes centros”, comemora o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), um dos nomes que os tucanos têm para disputar as eleições presidenciais. Independentemente do resultado em São Paulo, que se transformou no símbolo de quem será o grande vencedor das eleições, a cúpula do PT acha que o partido se fortaleceu para a reeleição de Lula.

“O PT criou uma base política que nunca teve para disputar os governos estaduais em 2006”, diz o secretário-geral do PT, Silvio Pereira.

Os tucanos também comemoram o resultado das eleições. Eles afirmam que atingiram seu principal objetivo nesta disputa: assegurar a condição de principal partido de oposição do País. O PSDB passará agora por uma reestruturação interna e por uma intensa articulação do ex-presidente FHC para dar consistência à candidatura tucana à Presidência, liderada por ele ou pelos governadores Geraldo Alckmin ou Aécio Neves.

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