Maioria das capitais decidirá
eleição no segundo turno.

Brasília (AG) – O PT e os partidos aliados ao governo federal estão liderando a corrida eleitoral em 19 das 26 capitais (o Distrito Federal não tem prefeito), segundo pesquisas de institutos diversos divulgadas nas últimas semanas. Mas a vantagem de candidatos governistas em mais de dois terços das capitais não garante a supremacia do grupo no resultado final, pois a briga está acirrada e na maioria dessas cidades a eleição só deverá ser decidida no segundo turno. Há possibilidade, pelos números atuais, de a disputa ser decidida em primeiro turno em apenas cinco capitais, incluindo o Rio de Janeiro.

Os principais partidos de oposição – PFL, PSDB e PDT – lideram as pesquisas em seis ou sete capitais, variando de uma pesquisa para outra. O PFL está à frente no Rio e em Manaus e empatado tecnicamente com o PDT em Salvador. Os tucanos estão em vantagem em Florianópolis e Natal e empatados em Cuiabá. O PDT lidera em São Luís e Maceió.

O PT lidera o ranking entre os partidos governistas. Seus candidatos estão à frente em sete capitais, sendo três na região Centro-Sul (São Paulo, Curitiba e Porto Alegre) e quatro no Norte e Nordeste (Recife, Aracaju, Belém e Palmas). O PSB está na segunda melhor posição, liderando a disputa em Belo Horizonte, João Pessoa, Porto Velho e Macapá. O PMDB, também da base governista, tem candidatos competitivos em Goiânia e Teresina, primeiro lugar, e Recife, onde ameaça a reeleição do petista João Paulo. O PPS do ministro Ciro Gomes está em vantagem em duas capitais: Boa Vista e Rio Branco. O PP é líder em Vitória e o PCdoB, em Fortaleza.

O desempenho dos petistas e aliados, atribuído nos últimos dias aos bons resultados da economia, tem animado a direção do PT, mas o presidente nacional do partido, José Genoino, recomenda cautela. “Não devemos federalizar o discurso, não devemos provocar os adversários e temos que adotar a prudência militante. Ou seja, não se estressar se cair nas pesquisas nem ficar muito otimista com bons índices”, disse Genoino.

O presidente do PT reconhece que a recuperação da popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, registrada no início de agosto, também reflete na campanha. E afirma que os adversários ajudam quando batem em Lula: “Isso já está claro: o adversário que direcionar suas críticas para Lula e não para seu adversário local na disputa não terá vantagem alguma, perderá votos”.

A mais de 40 dias das eleições municipais, os políticos se sentem livres para fazer a leitura que mais convém. E se fossem levadas em conta suas previsões, seriam necessárias mais de 30 capitais no País. O PSDB, por exemplo, tem candidatura própria em 13 capitais. “Acreditamos hoje que o partido tem chances reais de vencer em nove. Estamos otimistas”, diz o secretário-geral do partido, deputado Bismark Maia (CE).

Pelas pesquisas, além de liderar em Natal e Florianópolis, os tucanos têm chances em São Paulo, Ceará, Curitiba e Cuiabá. A aposta do momento dos tucanos é na candidatura do cearense Antonio Cambraia, em Fortaleza. “Ele tem como bagagem a aprovação das três administrações e o fato de ter sido eleito o melhor prefeito do Brasil. É honesto e coerente e vai vencer”, disse Bismark.

Em Curitiba, duelo com PSDB

O PFL tem candidato próprio em dez capitais, mas as chances reais de vitória são em três delas. A estrela maior do partido, o prefeito do Rio, César Maia, é o único pefelista que disputa a reeleição. Lidera com folga as pesquisas, mas os dirigentes do partido, cautelosos, preferem não apostar numa vitória ainda em primeiro turno. Apesar de bem colocado, o pefelista disputa com outros quatro candidatos competitivos, o que aumenta as chances de segundo turno.

Outra aposta certa dos pefelistas é o candidato em Manaus, Amazonino Mendes. Na última pesquisa Ibope/TV Amazonas, divulgada na sexta-feira, o candidato do PFL aparece com 55% das intenções de voto, o que garantiria a vitória já no primeiro turno. Serafim Corrêa (PSB) teve 14% e Vanessa Grazziotin (PCdoB) – que tem o apoio do PT – 9%.

Segundo o secretário-geral do PFL, Saulo Queiroz, o partido também aposta na vitória em duas capitais do Nordeste. “Além do Rio de Janeiro, onde nosso candidato (César Maia) está na frente, temos perspectivas de vitória em Salvador e Fortaleza”, diz Queiroz.

Na Bahia, pela primeira vez, o domínio pefelista corre risco. O grande adversário de Borges é o pedetista João Henrique Carneiro, filho do ex-governador João Durval Carneiro. Em algumas pesquisas João Henrique chegou a ultrapassar Borges, mas os carlistas garantem que o candidato carlista já abriu distância do adversário do PDT. Para o deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), o principal fator de desgaste da campanha de Carneiro foi o escândalo envolvendo seu candidato a vice, o tucano Maurício Trindade, que, sob acusação de irregularidade, renunciou há cerca de duas semanas.

A polarização entre petistas e tucanos se dá em algumas capitais, sendo que em duas importantes, São Paulo e Curitiba, o duelo é pesado. Marta Suplicy ultrapassou José Serra no início de agosto, mas a disputa para valer na maior cidade do País será no segundo turno. Alguns petistas provocam: “E se for o Maluf e não o Serra para o segundo turno? O PSDB vai apoiar Maluf?”, brincou um parlamentar do PT paulista.

Em Curitiba, outro tucano, Beto Richa, está encostado no petista Angelo Vanhoni e tirando o sossego dos líderes do PT. Em Recife, a campanha do prefeito João Paulo deve ganhar reforço. Até Lula poderá passar por lá, numa agenda oficial de presidente, mas que tem o objetivo de afastar o fantasma do peemedebista Carlos Eduardo Cadoca, empatado tecnicamente com João Paulo.

Além de aumentar o número de capitais que governa hoje, oito, o partido de Lula tem outro desafio: reeleger quatro deles: Marcelo Déda em Aracaju (lidera as pesquisas); Marta Suplicy, em São Paulo; João Paulo, em Recife; e Fernando Pimentel, em Belo Horizonte. Este último enfrenta dificuldades, mas a aposta dos petistas é que na reta final ele superará o candidato João Leite, do PSB. Entre os petistas, pelo menos dois têm chances de ganhar a eleição já em primeiro turno: Marcelo Déda e Raul Lustosa Filho, em Palmas. Os partidários de Raul Pont, em Porto Alegre, também alimentam essa esperança.

O PMDB, maior e mais bem estruturado partido do Brasil, que chegou a governar mais de 20 capitais nos anos de 1980, vinha confirmando a cada eleição seu distanciamento dos grandes centros. Mas ressurge agora com chances de vitória em quatro capitais: Goiânia, Campo Grande, Recife e Teresina.