Brasília – Ministros do PT deverão mesmo ser afastados para acomodar os novos aliados, como o PMDB. Embora afirme que o momento de partir para o redesenho do ministério depende do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um dia depois de o PMDB ter anunciado sua decisão de apoiar formalmente o governo, o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, procurou ontem o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para acertar a participação efetiva do partido no governo e convidar seus dirigentes para um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O encontro, na quinta-feira da próxima semana, deverá definir de maneira mais objetiva a participação dos peemedebistas no primeiro escalão do governo. Dirceu admitiu que isso deverá exigir mudanças na atual equipe ministerial, particularmente nas pastas destinadas ao PT, que possui pelo menos 18 representantes na Esplanada dos Ministérios. “Evidentemente que a participação do PMDB e de outros partidos no governo depende de mudanças no ministério e particularmente mudança nos ministérios do PT”, afirmou Dirceu na saída do gabinete de Sarney.

A participação do PMDB no governo, segundo o ministro, “é líquida e certa” na medida em que o presidente deixou claro, quando venceu as eleições, que todos os partidos que apoiaram a sua candidatura, fosse no primeiro ou no segundo turnos, teriam lugar garantido em sua administração.

“Todos nós sabemos que a maioria do PMDB apoiou o presidente Lula no primeiro e no segundo turnos. Portanto o PMDB participará do governo. Sua participação no ministério é um problema político, relevante e de interesse nacional. Um partido que tem o eleitorado e a força política que o PMDB tem, naturalmente participará do governo. Quando? Caberá ao presidente decidir”, acrescentou Dirceu.

Para Dirceu, a decisão da executiva nacional do PMDB é mais ampla do que a simples perspectiva do partido de garantir cargos no governo, seja de primeiro, segundo ou terceiro escalão.

Calheiros confirma acerto

São Paulo

– O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, confirmou, em entrevista à Rádio CBN, que o seu partido vai ganhar ministérios em uma futura reforma ministerial, prevista para ocorrer no final do ano. Anteontem, a legenda formalizou apoio ao governo Luiz Inácio Lula da Silva. “Foi um acordo de princípios. O PMDB terá na reforma ministerial o espaço correspondente ao seu tamanho. O PMDB é a maior instituição partidária congressual e terá espaço correspondente ao prestígio que o partido tem na sociedade. Seria uma tolice imaginar que o PMDB, maior partido, está indo para o governo para ter um carguinho, um espaço qualquer em uma estatal”. disse ele, ao responder se o partido não teme ser acusado de “fazer fisiologismo”.

Segundo o senador, o partido, que ainda não ocupa nenhum ministério no governo Lula, vai aguardar a reforma ministerial “para que o PMDB tenha um espaço justo no governo”.