Brasília – Preocupados com a traição de aliados e a demonstração de força do ex-presidente Fernando Henrique (PSDB) na disputa pelo comando da Câmara, 16 dos 17 ministros do PT reuniram-se anteontem à noite e traçaram um plano para salvar o governo de Luiz Inácio Lula da Silva da ?desagregação? da base partidária que o sustenta. Como se fosse uma terapia de grupo, lavaram roupa suja, criticaram companheiros e não-companheiros e escancararam a fragilidade da articulação política do Planalto.

No encontro de 4 horas e meia a portas fechadas, na sede do PT, Antonio Palocci (Fazenda) disse que havia ?dois consensos?. O primeiro: a articulação política do governo precisa ser repensada urgentemente. O segundo: é fundamental a coesão, hoje praticamente inexistente, da bancada do PT na Câmara. Mais do que isso, Palocci citou a necessidade de melhor relacionamento entre os ministros e os parlamentares aliados. ?Foi nossa primeira reunião depois da derrota na Câmara, para construir o pacto de unidade no partido?, resumiu o presidente nacional do PT, José Genoino. O único ausente foi Nilmário Miranda (Direitos Humanos).

Diplomático, Genoino negou que os petistas tenham bombardeado o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo (PC do B). ?Temos muito respeito por ele.? Um ministro, porém, contou que a avaliação interna não poupou Rebelo e constatou um ?descompasso? entre a força política do PT – maior partido, com 91 deputados – e seu poder de decisão no campo das negociações. A pressão do PT para a saída de Rebelo é cada vez mais forte.