Foto: Weimer Carvalho/O Popular/AE

Governador Geraldo Alckmin com o governador Marconi Perillo: nome tucano faz campanha.

Emissários do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sinalizaram ontem aos apoiadores da pré-candidatura de Geraldo Alckmin à Presidência da República que os entendimentos em torno do cabeça de chapa do PSDB na disputa pelo Palácio do Planalto caminham na direção do nome do governador paulista. "Podem ficar tranqüilos, está tudo caminhando na direção de Alckmin", foi o recado dos emissários, segundo informações de uma fonte próxima ao Palácio dos Bandeirantes, sede do Executivo paulista.

Apesar dessa informação que circula entre os alckmistas, os defensores do nome do prefeito da capital, José Serra, afirmam desconhecer qualquer entendimento neste sentido. "O Carnaval já passou, mas algumas fantasias ainda continuam", reagiu o deputado Alberto Goldman, ex-líder do PSDB na Câmara dos Deputados. "Isso não existe, não procede, é uma besteira, é uma história em cima de outra", complementou o parlamentar.

Segundo Goldman, o partido continua trabalhando em cima de dados científicos, de pesquisas e de avaliação política para definir quem irá disputar a Presidência da República nas eleições deste ano. "É claro que os dois nomes possíveis (Alckmin e Serra) têm de se entender", disse. O deputado classificou também de inverossímil a informação de que Serra poderá disputar o governo do Estado de São Paulo. "Essa é mais uma dessas besteiras que ouvimos", disse Goldman, que é um dos pré-candidatos do PSDB à sucessão de Geraldo Alckmin em São Paulo.

Independentemente da reação dos serristas, os partidários da candidatura de Alckmin à Presidência da República afirmam que os entendimentos favoráveis ao nome do governador paulista nessa disputa foram amarrados em um encontro realizado no último final de semana, na casa do secretário das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, e que teve a presença do prefeito José Serra. Após esse encontro, dizem os apoiadores de Alckmin, Serra teria informado os caciques da legenda que estava propenso a não concorrer à Presidência nas eleições deste ano.

Apesar da divergência de opiniões entre serristas e alckmistas, em um ponto eles concordam: não dá mais para o partido adiar o anúncio do nome do candidato que disputará o Palácio do Planalto. Isso porque os tucanos estão preocupados com a repercussão negativa de todo esse imbróglio junto ao eleitorado.

O prefeito José Serra cancelou, na tarde de ontem, participação em evento na Assembléia Legislativa. Um hora e meia antes da inauguração da Lanchonete Escola da Assembléia Legislativa, a assessoria do prefeito telefonou para o Legislativo paulista cancelando a sua participação, sob alegação de que ele estava cuidando da greve dos motoristas de ônibus da capital.

Em Goiás, onde se encontrou com o governador Marconi Perillo, Alckmin disse que "não há pressa" para o anúncio sobre quem será o candidato do PSDB à Presidência da República. Ele voltou a atacar o governo Lula – a quem chamou novamente de "anti-Juscelino" – e garantiu que não há animosidade entre ele e o prefeito de São Paulo, José Serra, que também disputa a vaga para ser o candidato tucano. "Não estamos com pressa", afirmou o governador, que lembrou que os tucanos têm até o dia 31 para a decisão e que a escolha do candidato será feita de forma coletiva. "O importante é que estamos caminhando para um entendimento", disse Alckmin.