Brasília (AG) – O crescimento de candidatos do PSDB às prefeituras de capitais e cidades pólo do interior do País acendeu a luz amarela na direção nacional do PT.

Reunidos na quinta-feira de manhã (dia 2), em São Paulo, integrantes da executiva petista e do Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE), deflagraram um movimento nacional pela massificação das campanhas dos candidatos do PT. A ordem é botar os militantes na rua na caça ao voto e aproveitar melhor a estrutura partidária para fazer a diferença na reta final da campanha.

Em contrapartida, para não perder o espaço conquistado, os tucanos não têm um comando eleitoral central, mas contam com a vantagem de uma maior presença na máquina administrativa dos estados e das prefeituras. Vão usar os políticos que ocupam esses cargos para divulgar seus candidatos.

“Estamos chamando os militantes para as ruas. Precisamos massificar a campanha de nossos candidatos. Já viramos o jogo em Belo Horizonte e nossa meta é reverter o quadro em Goiânia, onde o prefeito Pedro Wilson está em terceiro, e no Rio, onde Jorge Bittar está em quinto”, diz o secretário de mobilização do PT, Francisco Campos.

O embate entre tucanos e petistas esquenta com a proximidade das eleições. O caso mais emblemático é o de São Paulo, onde a candidatura de José Serra virou prioridade número um dos tucanos, que vêem na derrota da prefeita Marta Suplicy a possibilidade de criar uma perspectiva de poder para a sucessão presidencial em 2006.

“É fundamental Marta não ganhar, para pôr um freio no projeto de poder do PT. Precisamos garantir maior equilíbrio político”, diz o secretário-geral do PSDB, Bismark Maia (CE). “A derrota em São Paulo vai obrigar o PT a baixar a crista”, completa o vice-líder do PSDB na Câmara, Alberto Goldman (SP).

Reforço

Para animar a campanha nas principais capitais e cidades, a direção do PT organizou uma agenda de shows com Zezé di Camargo e Luciano, Wanessa Camargo, Leonardo, Arthur Moreira Lima, Dalvan e Donizetti, Caju e Castanha, KLB e Rio Negro e Solimões.

Segundo o presidente do PT, José Genoino, os shows podem potencializar a estratégia de campanha em cada cidade. Ele avalia que, queda nas pesquisas de algumas candidaturas petistas ocorreu num momento em que ainda há tempo para mudar a situação. Genoino reconhece que há uma disputa particular com os tucanos e que não se pode negligenciar o poderio do adversário: “O PSDB tem fôlego, tem bala na agulha. Eles governam estados e prefeituras”.

Azeredo aponta incoerência

“A atuação do PT quando era oposição é incompatível com a atuação que o PT tem no poder”. Com essa avaliação, o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) pediu que os integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reexaminassem seus discursos de um passado recente, onde identificou “denuncismo” e “opiniões incongruentes” com relação à política econômica.

“O então sindicalista Lula afirmava que o dinheiro da privatização da Telebrás seria usado para fazer caixa para a campanha da reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Dizia que havia uma quadrilha no governo”, lembrou Azeredo.

Porém, o senador registrou que nenhuma daquelas denúncias se comprovou. E agora, quando o PT ocupa o Planalto, a imprensa vem noticiando casos de tráfico de influência, como o que envolveu o ex-assessor de Assuntos Parlamentares da Casa Civil, Waldomiro Diniz.

Denuncismo

“O governo afirma que há uma onda de denuncismo. Em verdade, o denuncismo, que deve ser visto como imputações infundadas, ocorria quando o sindicalista Lula acusava o governo. Atualmente, as denúncias, ao contrário, estão sendo comprovadas”, afirmou.

No que diz respeito à política econômica, Azeredo registrou que o PT afirmava que a proposta do governo anterior era inexeqüível. Na época, o PT, disse o senador, atacava os acordos do Brasil com o Fundo Monetário Internacional (FMI), pedia decretação de moratória, confisco dos bancos, mudança na política cambial e suspensão do envio de divisas para o exterior. “Bem, no poder, o PT manteve o modelo econômico e agora colhe frutos que não são seus”, reclamou Azeredo.

O senador informou que seu discurso teve como base artigo da jornalista Miriam Leitão publicado nesta semana pelo jornal O Globo. No texto, a jornalista transcreve afirmações de Lula e do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, que exemplificam a mudança de opinião do PT. “Seria bom que o PT se lembrasse. E aprendesse. Bons modos políticos são importantes numa democracia”, conclui Miriam Leitão.

SP é o palco principal

Brasília (AG) – O PT quer abrir caminho para uma reeleição tranqüila do presidente Lula em 2006. O PSDB quer criar as condições para ser uma alternativa, capaz de reunir forças para impedir a continuidade dos petistas no poder. Eles se enfrentam diretamente em São Paulo, onde Serra tem 34%, contra 30% de Marta Suplicy, segundo a última pesquisa Ibope. Ou de forma indireta, como em Belo Horizonte, onde o prefeito José Pimentel, com 46% segundo o Ibope, tenta a reeleição tendo como principal adversário João Leite (PSB), 30%, apoiado pelo governador tucano Aécio Neves.

Tucanos e petistas disputam voto a voto em Curitiba, onde os candidatos Angelo Vanhoni (PT) e Beto Richa (PSDB), têm 24% das intenções de voto de acordo com o Ibope.

Há outras eleições municipais consideradas estratégicas para montar a sucessão presidencial de 2006. O PT leva vantagem em Recife, onde o prefeito João Paulo lidera pelo Ibope com 42% contra o candidato do PMDB, Cadoca, 30%, aliado do PSDB na política regional. Mas está em desvantagem em Belém, onde o candidato do governador tucano Simão Jatene, o senador Duciomar Costa (PTB), tem 53% das intenções de voto pelo Ibope, enquanto a senadora petista Ana Júlia, com 24%, tentar manter a Prefeitura nas mãos do partido.

Liderança

Os tucanos também lideram, com boa margem sobre as candidaturas petistas, as disputas nas prefeituras de Vitória, de Cuiabá e de Florianópolis. A disputa também é forte em Fortaleza, onde a cúpula nacional do PT apóia a candidatura do deputado Inácio Arruda (PCdoB), que acaba de ser ultrapassado pelo candidato do PSDB, o deputado Antônio Cambraia.

Estratégica para o futuro dos dois partidos, a disputa também é muito forte no interior paulista. Os tucanos estão em vantagem em Campinas, onde Carlos Sampaio tem uma vantagem de mais de 20 pontos sobre o petista Luciano Zica. Em São José dos Campos, o tucano Eduardo Cury está na frente do petista Carlinhos Almeida. O mesmo está acontecendo neste momento em Piracicaba, Sorocaba, Franca e Praia Grande.