O Ministério Público em Campos do Jordão investiga outros dois descarrilamentos na mesma estrada de ferro onde, no último sábado, um acidente deixou três mortos em Santo Antônio do Pinhal (171 km de São Paulo).

Os descarrilamentos foram registrados em 15 de junho e 1º de julho na Estrada de Ferro Campos do Jordão, mas ninguém se feriu gravemente, segundo o promotor Alexandre Mafetano.

Naquelas ocasiões, o veículo operado (de prefixo A1) não era o mesmo do último sábado (A2).

“O veículo que descarrilou [das outras vezes] já foi enviado para reforma”, afirmou Mafetano. “Agora, aguardamos a investigação da Polícia Civil e a sindicância da EFCJ para apurar eventual responsabilidade.”
O secretário estadual dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, afirmou hoje que a principal suspeita é que os freios do bondinho tenham falhado no último sábado.

“Ele [o condutor] sentiu falta de frenagem. Estamos com esse aspecto. Temos um sistema triplo de freios. São três sistemas em paralelo. O que preciso saber é se eles podem falhar”, disse.

Fernandes negou falta de manutenção nos trilhos ou na automotriz – nome técnico do veículo, que tem motor movido a eletricidade e conjuga as funções de locomotiva e vagão de passageiros.

“A última troca das sapatas [de freio] ocorreu em 18 de setembro. Elas devem ser trocadas a cada 90 dias. Estamos investindo naquela ferrovia como há muitos anos não se fazia”, afirmou o secretário.

Os passeios turísticos no local ficarão suspensos por ao menos 30 dias, prazo para que uma comissão de sindicância da EFCJ conclua qual foi a causa do acidente e aponte novas medidas de segurança a serem adotadas.

Fernandes disse que, quando o passeio voltar, passageiros não poderão mais ficar em pé, como antes. “Nem o guia turístico”, adiantou.

No sábado, o bondinho partiu de Campos do Jordão, no alto da serra da Mantiqueira, rumo a Pindamonhangaba. Após passar por uma estação em Santo Antônio do Pinhal, no meio da serra, descarrilou e bateu em um barranco e em um poste.

Três mulheres morreram – uma delas estava grávida de seis meses – e 40 pessoas ficaram feridas.
Há duas investigações sobre o acidente: uma da EFCJ, que opera o bondinho, e outra da Polícia Civil.