Brasília

– Treze pessoas morreram e outras 24 apresentaram reações adversas graves depois de usar um contraste para exame radiológico, o Celobar. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a interdição da empresa Enila Indústria e Comércio de Produtos Químicos e Farmacêuticos, fabricante do medicamento. Entre as vítimas fatais que usaram frascos do lote suspeito (n.º 3040068) do Celobar, 11 eram de Goiás e duas da Bahia.

A interdição foi determinada depois de inspeção feita no laboratório pela Vigilância Sanitária do Rio de Janeiro. A equipe constatou que o produto foi liberado para o comércio sem laudo conclusivo do controle de qualidade do laboratório. Relatório preliminar indicava que o medicamento estava no limiar de contaminação bacteriana, ou seja, possuía contaminação muito próxima do limite estabelecido.

Antes da conclusão do teste do controle de qualidade da empresa, o produto foi colocado no mercado. O resultado do laudo definitivo detectou a presença de grande contaminação bacteriana. Além da interdição, a empresa receberá multa por infração à legislação sanitária.

O lote suspeito, com 4.620 frascos, foi distribuído para Goiás, Pernambuco, Bahia, Alagoas, Espírito Santo, Santa Catarina, Rio de Janeiro, São Paulo, Distrito Federal e Minas Gerais. Para Goiás foram distribuídos 1.600 frascos.

Efeitos

A superintendente da Vigilância Sanitária de Goiás, Maria Cecília Martins, informou que, mesmo com a proibição, algumas clínicas ainda continuavam usando o produto ontem. A superintendente recebeu o telefonema de um paciente que somente não tomou o contraste porque havia sido informado pelo rádio sobre os riscos do produto. “Estamos muito preocupados, pois o contraste é suspeito de provocar efeitos graves em muito pouco tempo. Por causa da dimensão do problema, o melhor foi proibir o uso de todos os lotes do medicamento.”

Náuseas, vômito, diarréia, hipertonia de face e pescoço, tremores, convulsão e morte em poucas horas. Essa foi a descrição dada por médicos aos casos atendidos. Maria Cecília acrescenta que o grupo que recebeu o contraste por via oral apresentou um quadro mais grave. Ontem, em Goiânia, dois corpos foram exumados.

O remédio é usado em exames radiológicos e está há 51 anos no mercado, segundo a empresa.