O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, recebe do Supremo Tribunal Federal o inquérito aberto para investigar as denúncias de que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), teve contas pagas pela empreiteira Mendes Júnior. O relator do processo no STF, ministro Ricardo Lewandowski, despachará para o Ministério Público a íntegra de todas as diligências solicitadas pelo procurador.
Nos documentos constam informações sigilosas das movimentações bancárias feitas pelo senador desde 2000, as declarações de renda apresentadas à Receita Federal, uma perícia feita pela Polícia Federal nos documentos referentes à venda de gado, cópia de todas as emendas apresentadas por Renan ao orçamento também desde 2000 e cópia dos processos que ele responde no Conselho de Ética.
De posse dessas informações, o procurador tentará descobrir se Renan usou recursos próprios – com a venda de gado – para pagar pensão à filha que teve fora do casamento com a jornalista Mônica Veloso ou se pediu dinheiro ao lobista da Mendes Júnior, Cláudio Gontijo.
Após avaliar esses dados, o procurador pode solicitar ao STF que novas diligências sejam feitas. Caso não considere necessário, Antonio Fernando de Souza deverá concluir se denuncia Renan Calheiros ao STF ou se arquiva o inquérito.
Caso ofereça a denúncia, os ministros do Supremo avaliarão se os argumentos do procurador são ou não consistentes. Em caso afirmativo, Renan deixará de ser investigado para se tornar réu de uma ação penal. Não há, no entanto, previsão de tempo para a conclusão desse processo.


