Brasília – Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indicam que o volume de chuvas no país, de janeiro a março, será superior ao registrado nos últimos três meses do ano passado, como esperado pelas autoridades do setor elétrico.

?É um quadro que inspira atenção. O governo está mobilizado, analisando a questão, mas não é alarmante, conforme os dados disponíveis até agora?, avaliou nesta sexta-feira (11) o coordenador geral de desenvolvimento e pesquisa do Inmet, Lauro Guimarães, em entrevista à Agência Brasil.

Ontem (10), conforme o levantamento mais recente divulgado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o volume de água nos reservatórios era de 44,47% no Sudeste/Centro-Oeste e de 27,12% no Nordeste. Para evitar problemas no fornecimento de energia até que os níveis subam, o governo já colocou em funcionamento 31 usinas termelétricas ? 25 a gás e seis a óleo diesel.

As previsões do Inmet sinalizam que, em regiões pontuais, o quadro de seca pode se agravar. É o caso do norte de Minas Gerais, do norte do Espírito Santo e da Bahia, onde a projeção aponta para 50 milímetros cúbicos de chuva por mês até março ? o índice médio esperado para o período deveria ser de 150 milímetros cúbicos. No acumulado de outubro a dezembro do ano passado, houve uma queda de 500 milímetros cúbicos no volume de chuvas registrado historicamente nestes locais.

Lauro Guimarães explicou que apesar de serem regiões que integram a bacia do Rio São Francisco, a escassez de chuvas  nelas não significa necessariamente um comprometimento maior do reservatório de Sobradinho, no norte da Bahia: ?Temos um quadro desfavorável no médio e no alto São Francisco, mas favorável no baixo São Francisco ? então, a vazão pode até ser boa mesmo com seca.?

Na Região Sul, excluído o norte do estado do Paraná, existem 40% de chances de chuva abaixo da média nos próximos três meses, considerados valores do período nos últimos 40 anos. Significa dizer, segundo o Inmet, que o total de chuvas do primeiro trimestre de 2008 no Rio Grande do Sul pode ficar abaixo de 200 milímetros cúbicos, quando poderia chegar a 400 milímetros cúbicos pela média histórica. Mas o impacto do índice para as bacias hidrográficas "pode ser compensado por chuvas acima do normal em São Paulo e Mato Grosso do Sul", informou Guimarães.

Os indicadores do Inmet apontam que até março a chuva pode superar 500 milímetros cúbicos em Mato Grosso do Sul e Paraná, e em algumas áreas de São Paulo, chegar a 700 milímetros cúbicos. O instituto também trabalha com 75% de chances de chuvas normais no litoral nordestino e de chuvas acima da média na maior parte desta região.

No próximo dia 17, representantes do Inmet se reunirão com os de outros órgãos de meteorologia para reavaliar números e projetar um cenário das chuvas até abril, com previsões de consenso.