Brasília – As fraudes na Previdência Social podem ultrapassar R$ 1 bilhão por ano. A estimativa é do ministro da Previdência, Ricardo Berzoini. Cálculos de especialistas indicam que os desvios na Previdência podem chegar a até 2% de um Orçamento anual de R$ 100 bilhões. O ministro anunciou a ampliação dos grupos de força-tarefa, que têm o objetivo de identificar as fraudes, punir os responsáveis e devolver as quantias desviadas aos cofres públicos. A força-tarefa conta com a participação da Polícia Federal, Ministério Público, e auditores do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A primeira força-tarefa foi criada no Rio de Janeiro e só nos primeiros oito meses deste ano, deflagrou 828 operações para recuperar créditos do INSS. Berzoini assinou portarias formalizando mais 13 grupos e, até o final do ano, os investigadores estarão atuando em todo o país. Durante a assinatura das portarias, o ministro afirmou que o combate à corrupção será uma marca do governo Lula.

“O combate será rigoroso, vamos acabar com uma tradição perversa que ocorreu no Brasil durante muito tempo, que é a presença de fraudes no sistema da Previdência”, disse. Ricardo Berzoini disse ainda que, sob certo ponto de vista, houve omissão dos governos anteriores no sentido de garantir a segurança de um sistema que movimenta bilhões de reais. O ministro concluiu que defender o sistema previdenciário também significa a defesa de milhões de brasileiros que dependem dos benefícios pagos para sobreviver. Outro motivo para o fortalecimento da segurança previdenciária é a expectativa do governo de incluir no sistema mais 40 milhões de brasileiros.

Sobre a reforma da Previdência, o ministro reconheceu que a fixação do subteto salarial dos servidores é um elemento que tem recebido muitas ponderações, críticas e dúvidas dos senadores. “Estamos discutindo e avaliando. Temos a tranqüilidade de discutir com calma”, afirmou.

Governo não quer mudanças

Brasília – O ministro Ricardo Berzoini disse ontem que a disposição do governo é aprovar sem mudanças no Senado, o texto da reforma da Previdência, que saiu da Câmara Federal. “Estamos discutindo com calma, sem nenhum tipo de presunção de que o Senado não pode mudar. O Senado pode mudar, mas pode manter se achar adequado para o País que aprovemos rapidamente a proposta”, disse Berzoini, após a cerimônia no Ministério da Previdência.