O governo tem sido pressionado por diversas categorias por vetos ao projeto da Lei da Migração, de autoria do atual ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes (PSDB). Segundo interlocutores do presidente, o texto é complexo, o tema é delicado e o governo deve usar o tempo que tem como regimental de 15 dias úteis, ou seja, até o próximo dia 24, para concluir os debates sobre o tema.

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O plenário do Senado aprovou no dia 18 de abril a Lei da Migração, mas o texto só chegou ao Planalto no dia 4 de maio. A nova lei, que revoga o Estatuto do Estrangeiro de 1980, período da ditadura militar, regula a permanência de estrangeiros no Brasil, que somam hoje cerca de um milhão de residentes, segundo dados do IBGE.

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De acordo com auxiliares de Temer, integrantes do Ministério da Justiça, da Defesa, do Desenvolvimento e Comércio, do Gabinete de Segurança Institucional e até das Forças Armadas, têm pressionado o governo por pontos que consideram inapropriados no texto. “É um tema muito complicado e delicado”, admitiu um interlocutor. Outra fonte do Planalto disse ainda que o presidente deve usar o todo o tempo regulamentar que tem direito. “Ele deve ir até o limite, não porque antecipar uma polêmica, que pode e deve gerar um desgaste”, admitiu.

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Uma das principais questões que tem recebido crítica é o parágrafo 2º do Artigo 1 da lei que prevê que são “plenamente garantidos os direitos originários dos povos indígenas e das populações tradicionais, em especial o direito à livre circulação em terras tradicionalmente ocupadas”. Segundo pessoas envolvidas no debate, Defesa, GSI e Justiça pedem veto a esse ponto argumentando que haveria um livre trânsito pelas fronteiras e eventuais transgressores da lei, por serem indígenas, não poderiam ser autuados pelas autoridades.

Outro trecho que tem sido objeto de pedido de veto é o que prevê o “acesso igualitário e livre do migrante a serviços, programas e benefícios sociais, bens públicos, educação, assistência jurídica integral pública, trabalho, moradia, serviço bancário e seguridade”. Pela nova legislação, o estrangeiro passa a ter direitos equivalentes ao cidadão comum, como, por exemplo. acesso a serviços públicos de saúde e educação. Também passa a ter o direito trabalhar, já que muitos estrangeiros atualmente possuem dificuldade para tirar a carteira de trabalho, e de participar de protestos, o que a legislação atual não permite.

O argumento dos que defendem o veto no caso seria que a lei contraria uma decisão do Supremo Tribunal Federal que determinou que a residência é uma condição para acesso ao benefício. A lei aprovada prevê no conceito de migrante a possibilidade de existir o “residente fronteiriço”, outro trecho conceitual que pode ser objeto de veto.

onforme já mostrou o Broadcast, outro trecho que pode ser vetado é o que revoga todas as expulsões de estrangeiros feitas até 5 de outubro de 1988, data da Constituição Brasileira. O motivo, segundo apurou a reportagem, é que o governo teme um grande movimento de estrangeiros em busca de indenizações. Para evitar esse problema, o tema deve ser regulamentado por decreto, limitando os estrangeiros que teriam esse benefício aos que não cometeram nenhum crime, por exemplo.

Irritação

Fontes do Planalto dizem ainda que a demora pela sanção da lei tem irritado o ministro Aloysio Nunes. No início do mês, após sofrer protestos nas redes sociais pela autoria do projeto, o ministro disse que a reação contrária ao texto estava partindo “de fascistas e de pessoas contaminadas por uma propaganda islamofóbica, que assimila os imigrantes a ações terroristas”. “Ataque de fascista para mim é elogio”, afirmou na ocasião. “Infelizmente, fascismo também existe no Brasil. São grupos turbulentos, embora extremamente minoritários. Claro que há pessoas iludidas por caricaturas que esses indivíduos fazem da lei.”

O ministro ressaltou que o projeto de Lei de Migração tramitou por cinco anos no Legislativo. Nesse período, passou por três comissões do Senado e por uma comissão especial na Câmara e foi discutido em diversas audiências públicas, com a participação de entidades de apoio a estrangeiros e também de órgãos do governo.