Brasília (AE) – A Polícia Federal (PF) prendeu no início da noite de sexta-feira, em Corbélia, Oeste do Paraná, o fazendeiro Norberto Mânica, suspeito de ser o mandante do assassinato de quatro funcionários do Ministério do Trabalho, ocorrido em janeiro, em Unaí (MG). No momento da prisão, Mânica estava com um amigo num posto de gasolina da cidade, que fica próxima à fronteira com o Paraguai. De lá, ele foi transferido, num avião cedido pelo governo de Minas Gerais, para Brasília, onde chegou por volta de 6h de ontem. Após exame de corpo de delito no Instituto Médico-Legal (IML) do Distrito Federal, Mânica foi levado para uma cela comum da Superintendência da PF.

O delegado federal Antônio Celso dos Santos, responsável pelo inquérito que apura a morte dos fiscais do Trabalho, disse que a prisão do fazendeiro foi decretada pela 9.ª Vara da Justiça Federal, com base em “fortes indícios” que comprovariam a autoria da chacina em Unaí. “Embora Norberto Mânica tenha propriedade na região onde foi preso, ficamos preocupados com a possibilidade de ele fugir para o Paraguai, pois a cidade de Corbélia é próxima à fronteira”, disse Santos. “Não temos, no entanto, dados que comprovem uma intenção por parte dele de sair do País.”

Mânica deve ficar 30 dias preso, podendo ter a prisão prorrogada por mais um mês. É possível ainda que a prisão temporária se transforme em prisão preventiva. Os advogados do fazendeiro podem entrar com pedido de relaxamento de prisão ou habeas corpus.

Hoje, a PF fará buscas e apreensão de documentos em escritórios, residências e fazendas da família Mânica, na tentativa de encontrar mais indícios da participação dele no crime. “Em casos como esse, não se assina documentos e os contatos entre o mandante e os autores diretos do crime são feitos longe de testemunhas”, explicou o delegado. Os pistoleiros que assassinaram os três fiscais e um motorista do Ministério do Trabalho confessaram o crime. O relógio de uma das vítimas foi encontrado no quintal da casa de um dos assassinos.

Considerado o maior produtor individual de feijão do mundo, Mânica foi indiciado por formação de quadrilha e homicídio qualificado. Em depoimento à PF, ele admitiu ter se desentendido, em novembro, com um dos fiscais do Trabalho mortos em Unaí. O fazendeiro, entretanto, negou participação no crime. A PF teve acesso a uma série de registros de telefonemas do fazendeiro para pistoleiros em 28 de janeiro, quando ocorreram os assassinatos. Além de Mânica, a PF prendeu sete pessoas envolvidas na chacina. “Se não surgirem novos indícios, a prisão dele (Mânica) encerra o caso”, afirmou o delegado.