O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, considera "um problema" a tendência de a economia do Brasil se caracterizar pela exportação de produtos básicos (commodities) agropecuários e minerais. Ele acredita que o Brasil precisa escolher se quer seu modelo de desenvolvimento baseado na venda desse tipo de produto ou em alta tecnologia. "Somos uma nação favorecida pelo espaço continental e a capacidade de trabalho para avançar mais para commodities. Eu acho isso um problema", disse.

A opção pelo modelo de país exportador de commodities "não permite classe média" porque a remuneração da mão-de-obra é baixa, avalia. Pochmann acredita que o Brasil tem possibilidades de seguir o outro caminho já que possui capacidade empresarial e forma mais de 10 mil doutores por ano, embora boa parte não vá trabalhar com pesquisa e inovação. Mas entende que "ainda não há convergência política" para isso.

Ele quer mobilizar a inteligência nacional para traçar uma estratégia de desenvolvimento nacional. "O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) não adianta. Precisamos ter um Plano Nacional de Crescimento, que é além do crescimento", disse em aula inaugural no Instituto de Economia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Pochmann considera uma expansão do PIB de 5% ao ano "muito pouco" em relação a outros países, ainda que boa para o histórico do Brasil.