O presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), considerou normal a troca de mensagens eletrônicas entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) com comentários sobre a análise do pedido de ação penal contra os 40 investigados no escândalo do mensalão. Para Chinaglia, o fato não compromete o julgamento nem caracteriza atitude antiética. "É tradição no Supremo os ministros conversarem entre si. Parece-me normal a troca de e-mails sobre pontos que consideram polêmicos", afirmou.

O presidente comparou a troca de e-mails entre o ministro Ricardo Lewandowski e a ministra Carmen Lúcia, na sessão de ontem do Supremo Tribunal, com a discussão entre médicos sobre uma questão clínica ou cirúrgica na busca de uma melhor decisão. O líder do PSB na Câmara, deputado Márcio França (SP), disse que se for comprovado qualquer tipo de antecipação de voto, poderá haver questionamento sobre a legitimidade do julgamento. França ressaltou que a isenção é princípio essencial na Justiça. "À medida que as partes argüirem qualquer tipo de suspeição, cria-se um impasse jurídico sem precedentes. É princípio do direito que um juiz não pode prejulgar", afirmou França.