Foto: Chico Martins/Futurapress

Do bando de hackers, 56 moravam em Campina Grande, na Paraíba, onde ficava o QG do grupo.

A Polícia Federal realizou operação em sete estados, na manhã de ontem, para prender integrantes de uma quadrilha especializada em desviar dinheiro de contas bancárias pela internet. O grupo utilizava transferência e pagamentos irregulares e era liderado, segundo a Polícia Federal, por um jovem de 19 anos, preso na Paraíba, mas que não teve o seu nome divulgado.

A Operação Scan, como foi batizada, mobilizou 330 delegados e agentes que até o final da manhã haviam realizado 40 prisões nos estados de São Paulo, Paraná, Paraíba, Ceará, Pernambuco, Bahia e Rio Grande do Norte.

Os mandados de busca e apreensão foram expedidos pela 6ª Vara Federal de Campina Grande, na Paraíba, onde funcionava centro das operações da quadrilha. Outros mandados continuam sendo realizados, mas a PF não revelou quantos.

As investigações sobre os desvios de recursos pela internet foram iniciadas em maio do ano passado, a partir de denúncias da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, que constataram o envio de e-mails com vírus do tipo "cavalo de tróia" anexado, e que, depois de se instalar nos computadores de correntistas, copiava os números das contas e as senhas.

Com esses dados, os "crackers" realizavam transferências para contas "laranjas" e pagavam contas através de boletos bancários. Desvios que, de acordo com estimativa da Superintendência da PF na Paraíba, devem superar R$ 10 milhões. Números mais exatos só devem ser revelados no final da tarde, quando a PF dará um balanço da operação.

Em Campo Mourão, um integrante

Dos 55 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal de Campina Grande (PB) dentro da Operação Scan, apenas um foi cumprido no Paraná. Um adolescente de 17 anos foi preso em Campo Mourão, Noroeste do Estado, por agentes federais de Maringá, cerca de 80 quilômetros distante da cidade. Junto com ele foram apreendidos um computador, mídias (CDs, pen-drivers, disquetes), celulares, aproximadamente R$ 4 mil em dinheiro, boletos bancários, cartões de banco e um carro golf, além de um saco plástico contendo diversos comprimidos parecidos com ecstasy, droga amplamente utilizada em festas por jovens e adolescentes, segundo informou a PF de Maringá.
Para o delegado da superintendência da Polícia Federal em Campina Grande (PB), Francisco Martins, que comandou a operação, a ramificação da quadrilha no Paraná funcionava como uma das pontas da rede de contatos dos ?crackers?, assim como nos outros seis estados, além da Paraíba, onde mais mandados foram cumpridos. ?Eles trocavam informações de contas bancárias e os saques eram feitos em cidades diferentes, para evitar que se comprometessem?, explicou.

O delegado acredita que o menor paranaense preso ontem conheceu os outros membros da quadrilha pela internet. Não há estimativa, no entanto, sobre que parte da quantia teve origem no Paraná dentre os R$ 10 milhões desviados pela quadrilha em todo o Brasil.

O garoto foi levado pela Polícia Federal ao Instituto de Ação Social do Paraná em Campo Mourão (SAS) por volta das 12h30 desta terça-feira, onde deve permanecer pelos próximos 45 dias, à disposição do Juízo de Infância e Juventude do município. No final da tarde de ontem, a diretora Ana Cláudia Padilha Justino informou que ainda não havia conversado com o adolescente para saber mais detalhes sobre seu envolvimento no caso. O atendimento deve ocorrer ainda na manhã de hoje.