Ao menos 30 mil luminárias das ruas de São Paulo se acumulam em depósitos da Prefeitura, por vezes jogadas no chão, sem uso e dentro do prazo de garantia. Os equipamentos foram retirados de bairros que tiveram a iluminação convencional, de vapor de sódio, trocada por equipamentos de LED, mais modernos. Sem uso, devem ser doados para cidades da Grande São Paulo ou do interior.

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Adquiridas com dinheiro público, vindo da arrecadação da Contribuição para o Custeio da Iluminação Pública (Cosip) – a “taxa de luz” cobrada na conta de energia dos paulistanos -, essas luminárias deveriam ser usadas para repor equipamentos danificados de outras regiões, enquanto a substituição por LED não chega a toda a capital.

Entretanto, dadas as limitações de pessoal da Prefeitura para avaliar esses materiais e devolvê-los às ruas, os equipamentos estão há meses à espera de triagem, armazenados nos depósitos. Um conjunto novo custa cerca de R$ 500.

Segundo o secretário municipal de Serviços da gestão Fernando Haddad (PT), José Roberto Serra de Almeida, a triagem é necessária porque nem todo o equipamento recolhido pode ser usado novamente. “Tem muita coisa que chega quebrada, que passou por vandalismo, foi alvo de tiros. Não é possível aproveitar tudo, mesmo levando em conta luminárias que estão na garantia”, diz.

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Na média, segundo Almeida, cerca de 65% dos materiais que vão para os depósitos serão reaproveitados. O restante será pesado e vendido como sucata.

A reportagem obteve fotos de centenas de conjuntos de luminárias, com hastes e presilhas, amontoados em um depósito da zona leste. Estavam até com etiquetas. Ao ver as imagens, que mostravam as luminárias dispostas no chão, Almeida reconheceu que o armazenamento não está adequado. “As luminárias não deveriam estar no chão desse jeito”, afirmou.

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Almeida reconheceu também que a triagem do material está sendo realizada em um ritmo menor do que o ideal. Ele aponta como causas para o problema as dificuldades da administração pública, com menos funcionários do que o serviço exige, para devolver o material às ruas. O secretário garantiu, porém, que nenhuma luminária “boa” será descartada.

Mudança

Os estoques da Prefeitura, no entanto, só devem crescer. Isso porque a programação é que o ritmo de substituição cresça com uma Parceria Público-Privada (PPP). O contrato estimado é em R$ 7 bilhões, em valores de 2014, com prazo de vigência de 20 anos. O parceiro, que arcaria com os custos da troca das lâmpadas em toda a cidade, receberia em troca o direito de administrar o parque elétrico e teria na íntegra a receita da taxa de luz, cerca de R$ 40 milhões por mês.

A tecnologia LED consome cerca de metade de energia da lâmpada convencional. A economia seria suficiente para custear toda a substituição e assegurar o lucro da empresa parceira. A cidade tem cerca de 561 mil lâmpadas.

O plano, no entanto, está paralisado por determinação do Tribunal de Contas do Município (TCM), que analisa as condições de uma das duas únicas empresas que se habilitaram para a disputa da parceria – ambas já atuam na manutenção do serviço atualmente.

A demora para assinar a PPP fez com que a Prefeitura começasse, por conta própria, a trocar as lâmpadas na periferia. As luminárias estocadas são de bairros como Brasilândia, na zona norte, Lajeado, na zona leste, Raposo Tavares, na zona oeste, e Heliópolis, na zona sul.

Em média, a cidade tem recebido cerca de 600 luminárias de LED por dia. Ao todo, até o fim do ano, devem ser retiradas 49 mil luminárias, que vão dar lugar a 60 mil lâmpadas de LED – o projeto executivo da troca das luminárias inclui a ampliação do número de pontos de luz.

Doações

Quando o processo terminar e os estoques de luminárias de sódio estiver lotados, a Prefeitura pretende abrir doações para outras autoridades públicas receberem o material. Em março, a administração municipal abriu cadastramento para interessados. Na ocasião, a lista tinha 50 mil braços de sustentação de luminárias.

Nos bastidores, representantes de empresas criticam a doação dos equipamentos. Argumentam que a venda do material poderia gerar receita acessória, uma vez que o material chega a ter ainda uma década de vida útil. O dinheiro poderia ser usado para ampliar o número de pontos de luz da cidade.

Atualização

76 mil pontos novos de iluminação deverão ser instalados na capital com a troca das luminárias por equipamentos de LED. A promessa é criar uma central para monitorar toda a cidade.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.