Suplicy entre o0s embaixadores Donna
Hrinak (EUA) e Roger Bone (Reino Unido).

Brasília – A embaixadora americana no Brasil, Donna Hrinak, disse ontem que foi obrigada a explicar ao seu governo os motivos que levaram o Brasil a se opor abertamente ao conflito no Iraque. “Durante as últimas semanas tenho explicado aos meus chefes, ao Congresso e à imprensa dos EUA por que o Brasil, nosso parceiro essencial no hemisfério, não está do nosso lado no conflito do Iraque”, disse na Comissão de Relações Exteriores do Senado brasileiro.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, disse que não teme represálias ao país por causa da posição diplomática em relação à guerra. Hrinak disse ter explicado ao governo americano que o Brasil tem preferência pela solução pacífica dos conflitos e pela resolução de disputas a partir das instituições multilaterais, como a ONU. A coalizão anglo-americana atacou o Iraque sem aval do Conselho de Segurança da ONU.

O comportamento da embaixadora dos Estados Unidos, Donna Hrinak, na Comissão de Relações Exteriores do Senado, primeiro de pedir sessão reservada e depois de não responder ali mesmo às perguntas dos senadores, causou mal-estar no Senado. O primeiro a se queixar foi o presidente da Comissão, senador Eduardo Suplicy. “Acho que ela perdeu a oportunidade de demonstrar maior respeito para com os senadores e senadoras que lhe dirigiram perguntas”, disse Suplicy. Segundo ele, o convite para que ela comparecesse à Comissão de Relações Exteriores foi feito há três semanas.

A embaixadora ouviu todas as perguntas de uma vez e só ao final informou que responderia por escrito em outra ocasião. “Ela teve muito tempo para saber que poderíamos fazer perguntas”, disse Suplicy. À saída da reunião da comissão de Relações Exteriores, a embaixadora disse, em resposta a uma pergunta sobre eventual retaliação dos EUA ao Brasil, por conta da posição brasileira claramente contra a guerra, que nem todos em Washington concordam com a posição brasileira. Ela insistiu em defender a posição dos Estados Unidos de invasão ao Iraque, alegando o risco do uso de armas químicas de destruição em massa por Saddam Hussein. Quando perguntada como inspetores da ONU ainda não encontraram estas armas químicas, ela disse: “O inspetor não tem de achar. O Iraque é que tem de apresentar e não está divulgando incondicionalmente, imediatamente e ativamente as informações sobre armas químicas”.disse.

O senador Eduardo Suplicy disse que, na sessão reservada, ficou evidente que todos os senadores apóiam a posição do governo brasileiro contra a guerra. Ele chegou a citar música de Bob Dylan que o senador assim traduziu: “Quantas pessoas precisarão morrer até que cheguemos à conclusão de que muitas pessoas já morreram. A resposta, meu amigo, está sendo soprada pelo vento”.

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