Brasília
– A embaixadora americana no Brasil, Donna Hrinak, disse ontem que foi obrigada a explicar ao seu governo os motivos que levaram o Brasil a se opor abertamente ao conflito no Iraque. “Durante as últimas semanas tenho explicado aos meus chefes, ao Congresso e à imprensa dos EUA por que o Brasil, nosso parceiro essencial no hemisfério, não está do nosso lado no conflito do Iraque”, disse na Comissão de Relações Exteriores do Senado brasileiro.O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, disse que não teme represálias ao país por causa da posição diplomática em relação à guerra. Hrinak disse ter explicado ao governo americano que o Brasil tem preferência pela solução pacífica dos conflitos e pela resolução de disputas a partir das instituições multilaterais, como a ONU. A coalizão anglo-americana atacou o Iraque sem aval do Conselho de Segurança da ONU.
O comportamento da embaixadora dos Estados Unidos, Donna Hrinak, na Comissão de Relações Exteriores do Senado, primeiro de pedir sessão reservada e depois de não responder ali mesmo às perguntas dos senadores, causou mal-estar no Senado. O primeiro a se queixar foi o presidente da Comissão, senador Eduardo Suplicy. “Acho que ela perdeu a oportunidade de demonstrar maior respeito para com os senadores e senadoras que lhe dirigiram perguntas”, disse Suplicy. Segundo ele, o convite para que ela comparecesse à Comissão de Relações Exteriores foi feito há três semanas.
A embaixadora ouviu todas as perguntas de uma vez e só ao final informou que responderia por escrito em outra ocasião. “Ela teve muito tempo para saber que poderíamos fazer perguntas”, disse Suplicy. À saída da reunião da comissão de Relações Exteriores, a embaixadora disse, em resposta a uma pergunta sobre eventual retaliação dos EUA ao Brasil, por conta da posição brasileira claramente contra a guerra, que nem todos em Washington concordam com a posição brasileira. Ela insistiu em defender a posição dos Estados Unidos de invasão ao Iraque, alegando o risco do uso de armas químicas de destruição em massa por Saddam Hussein. Quando perguntada como inspetores da ONU ainda não encontraram estas armas químicas, ela disse: “O inspetor não tem de achar. O Iraque é que tem de apresentar e não está divulgando incondicionalmente, imediatamente e ativamente as informações sobre armas químicas”.disse.
O senador Eduardo Suplicy disse que, na sessão reservada, ficou evidente que todos os senadores apóiam a posição do governo brasileiro contra a guerra. Ele chegou a citar música de Bob Dylan que o senador assim traduziu: “Quantas pessoas precisarão morrer até que cheguemos à conclusão de que muitas pessoas já morreram. A resposta, meu amigo, está sendo soprada pelo vento”.


