Um relatório da Unicef divulgado nesta segunda-feira (15) revela que quase metade das crianças e adolescentes do mundo, cerca de 1,1 bilhão de pessoas, está exposta a pelo menos três riscos climáticos que ameaçam sua saúde, educação e sobrevivência. No Brasil, 16 milhões de meninos e meninas enfrentam essa situação.
Quais são os principais riscos climáticos que afetam as crianças?
O estudo mapeou oito ameaças climáticas mais frequentes: enchentes costeiras, secas, calor extremo, queimadas, ondas de calor, enchentes de rios, tempestades de areia e poeira e tempestades tropicais. A combinação mais comum é seca, calor extremo e ondas de calor, afetando mais de 296 milhões de crianças no mundo.
Como a situação está no Brasil?
No Brasil, 16 milhões de crianças estão expostas a três ou mais riscos climáticos, o equivalente a 3 em cada 10 meninos e meninas. Quando considerados dois ou mais riscos, o número sobe para 30 milhões, ou 6 em cada 10 crianças brasileiras. Além disso, 95% das crianças do país estão expostas à poluição do ar.
Quais regiões do mundo são mais afetadas?
A região do Sahel, na África, é uma das mais atingidas, com mais de 4 milhões de crianças enfrentando ondas de calor, calor extremo e tempestades de areia. Países asiáticos como Bangladesh, Mianmar e Paquistão registram a maior intensidade de ameaças. Mesmo países ricos sofrem: na Itália, mais de 6 milhões de crianças enfrentam ondas de calor e secas.
O que o relatório recomenda para proteger as crianças?
A Unicef propõe reduzir as emissões de gases poluentes e eliminar combustíveis fósseis, investir em adaptação climática e serviços públicos resilientes, criar escolas e unidades de saúde preparadas para o clima, garantir segurança alimentar, fortalecer sistemas de água e saneamento, e incluir crianças nas decisões sobre ação climática.
Para proteger os direitos das crianças e enfrentar a crise climática, o Unicef recomenda:
- Reduzir as emissões e adotar ações ambiciosas para cumprir compromissos internacionais, incluindo a eliminação gradual dos combustíveis fósseis e uma transição justa para energias renováveis;
- Proteger as crianças e os adolescentes por meio de adaptação climática inclusiva;
- Redução de riscos de desastres e respostas de perdas e danos que tornem os serviços públicos essenciais resilientes;
- Garantir que as políticas fundamentais para as crianças sejam incluídas nos planos nacionais de adaptação e nas estratégias setoriais, na governança do risco de desastres, e nos planos de preparação e resposta;
- Criar escolas seguras e verdes e unidades de saúde resilientes ao clima;
- Garantir a segurança alimentar das crianças;
- Tornar os sistemas de alerta precoce eficazes para as crianças e acessíveis aos serviços dos quais dependem;
- Fortalecer a eficiência dos serviços de água e saneamento, bem como dos sistemas de proteção social responsivos a emergências;
- Empoderar crianças e jovens para participar de forma significativa na ação climática por meio do investimento em educação e habilidades climáticas;
- Fortalecimento da capacidade de tomadores de decisão e especialistas de respeitar os direitos das crianças de serem ouvidas, de se expressarem e de participarem nas decisões que afetam suas vidas.
